LRA em Cirróticos: Manejo Inicial e Escolha do Expansor

CCG - Centro de Cirurgia Geral (MS) — Prova 2021

Enunciado

Mulher de 48 anos de idade, com diagnóstico de cirrose hepática de etiologia alcoólica, apresenta-se em classe funcional Child C, com ascite, normotensa, sem sinais de infecção, oligúrica com creatinina sérica de 3,2mg/dL, em uso de furosemida e aldactone. Duas semanas antes, compareceu ao Ambulatório de Fígado e a creatinina sérica era de 1,4mg/dL. Em relação às condutas iniciais, marque a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) manter uso de diuréticos e realizar expansão plasmática com albumina (1g/kg/dia, máximo de 100g/dia).
  2. B) suspender uso de diuréticos e realizar expansão plasmática com albumina (1g/kg/dia, máximo de 100g/dia).
  3. C) suspender uso de diuréticos e realizar expansão plasmática com solução de amido a 6% (na dose de 1g/kg/dia).
  4. D) manter uso de diuréticos e realizar expansão plasmática com solução fisiológica 0,9%.

Pérola Clínica

LRA em cirrótico com diuréticos → Suspender diuréticos + expansão volêmica (preferencialmente albumina).

Resumo-Chave

Em pacientes cirróticos com lesão renal aguda e em uso de diuréticos, a primeira medida é suspender os diuréticos para evitar depleção volêmica e piora da função renal. A seguir, deve-se realizar expansão plasmática para diferenciar entre LRA pré-renal e Síndrome Hepatorrenal, sendo a albumina o expansor de escolha.

Contexto Educacional

A lesão renal aguda (LRA) é uma complicação comum e grave em pacientes com cirrose hepática, associada a alta morbimortalidade. As causas de LRA em cirróticos são diversas, incluindo hipovolemia (frequentemente induzida por diuréticos), nefrotoxicidade e a Síndrome Hepatorrenal (SHR), uma forma de insuficiência renal funcional que ocorre na ausência de doença renal intrínseca. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais. O diagnóstico de LRA em cirróticos requer atenção à creatinina sérica, que pode ser subestimada devido à baixa massa muscular. A conduta inicial envolve a suspensão de diuréticos e outras drogas nefrotóxicas, seguida pela expansão volêmica. A albumina é o expansor de escolha, administrada em doses específicas (ex: 1g/kg/dia, máximo 100g/dia) por 2 dias, para otimizar o volume intravascular e avaliar a reversibilidade da LRA. A falha na melhora da função renal após a expansão com albumina sugere Síndrome Hepatorrenal, que requer tratamento específico com vasoconstritores (terlipressina, noradrenalina) e albumina. É fundamental evitar soluções de amido, que são contraindicadas em cirróticos e pacientes com LRA devido aos riscos de nefrotoxicidade e coagulopatia. O manejo da LRA em cirrose é complexo e exige monitoramento rigoroso e intervenções rápidas para melhorar o prognóstico.

Perguntas Frequentes

Qual a primeira medida ao diagnosticar LRA em um cirrótico?

A primeira medida é suspender todos os diuréticos e outras drogas nefrotóxicas. Em seguida, deve-se iniciar a expansão volêmica para avaliar a resposta renal e diferenciar as causas da LRA.

Por que a albumina é o expansor de escolha na LRA em cirróticos?

A albumina é preferencial devido à sua capacidade de expandir o volume plasmático de forma eficaz e segura, sem os riscos associados a outras soluções, como as de amido, que podem piorar a função renal e a coagulação em pacientes cirróticos.

Como diferenciar LRA pré-renal de Síndrome Hepatorrenal?

A diferenciação é feita pela resposta à expansão volêmica. Na LRA pré-renal, a função renal melhora após a expansão. Na Síndrome Hepatorrenal, a função renal não melhora significativamente ou continua a piorar, mesmo após a expansão adequada com albumina.

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