UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2021
Mulher, 63a, com diagnóstico de cirrose alcoólica, está internada por descompesação clínica há 3 dias, com piora da ascite, oligúria e início de encefalopatia hepática. Em uso diário de espironolactona 200mg, furosemida 40mg e complexo vitamínico. Creatinina 1,7 mg/dL; (0,8 mg/dL na entrada); Líquido ascítico: hemácias= 1.300/mm³, leucócitos= 420/mm³ (62% de linfócitos, 31% neutrófilos e 7% de monócitos); proteína= 1,4 g/dL, albumina= 0,7 g/dL,O DIAGNÓSTICO E A CONDUTA SÃO:
Cirrose + ↑ Cr + oligúria sem PBE → LRA. Suspender diuréticos e considerar albumina.
A piora da função renal em pacientes cirróticos é uma complicação grave. O aumento da creatinina, mesmo que discreto, associado à oligúria, sugere lesão renal aguda. A ausência de critérios para peritonite bacteriana espontânea (PMN < 250/mm³) direciona a conduta para manejo da LRA, incluindo a suspensão de diuréticos e a administração de albumina.
A Lesão Renal Aguda (LRA) é uma complicação frequente e grave em pacientes com cirrose hepática descompensada, associada a alta morbimortalidade. Sua etiologia é multifatorial, incluindo hipovolemia efetiva, necrose tubular aguda, e a temida Síndrome Hepatorrenal (SHR). O reconhecimento precoce e a intervenção adequada são cruciais para melhorar o prognóstico desses pacientes. O diagnóstico da LRA em cirróticos baseia-se em critérios de aumento da creatinina sérica e/ou oligúria. É fundamental diferenciar a LRA de outras causas de disfunção renal, como a Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE), que requer tratamento antibiótico específico. A avaliação do líquido ascítico é essencial para excluir PBE, enquanto a resposta à expansão volêmica pode ajudar a diferenciar causas pré-renais de SHR. O tratamento inicial da LRA em cirróticos envolve a suspensão de agentes nefrotóxicos e diuréticos, além da expansão volêmica com albumina humana. Em casos de SHR, a terlipressina (ou outros vasoconstritores esplâncnicos) associada à albumina é a terapia de escolha. O manejo deve ser individualizado, visando estabilizar a função renal e hepática, e prevenir a progressão para falência de múltiplos órgãos.
Os critérios para LRA em cirróticos incluem um aumento da creatinina sérica de ≥ 0,3 mg/dL em 48 horas ou um aumento de ≥ 50% da creatinina basal conhecida em 7 dias, ou creatinina sérica ≥ 1,5 mg/dL.
Diuréticos podem agravar a hipovolemia efetiva e a disfunção renal em pacientes cirróticos com LRA, especialmente na presença de oligúria. A suspensão ajuda a otimizar o volume intravascular e a prevenir a progressão da lesão renal.
A albumina é indicada para expansão volêmica em LRA pré-renal e na Síndrome Hepatorrenal (SHR). Também é usada na Paracentese de Grande Volume e na Peritonite Bacteriana Espontânea (PBE) para prevenir disfunção renal.
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