Lesão Renal Aguda Anúrica: Manejo e Diagnóstico Diferencial

AMP - Associação Médica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

Paciente é encaminhado da UPA para hospital terciário com suposta emergência dialítica. Trata- -se de mulher de 42 nos, sem história de comorbidades conhecidas, apresentando anúria há mais de 24h. Exames realizados à admissão mostram creatinina 2,5mg/dL, ureia 95mg/dL, potássio sérico 6,2mg/dL, PH 7,3 e bicarbonato 18 mmol/L. Além da anúria, paciente refere apenas hiporexia. Com relação a este caso de insuficiência (lesão) renal aguda, assinale a afirmação correta.

Alternativas

  1. A) Deve ser realizado eletrocardiograma em busca de alterações associadas a hipercalemia e, caso haja, administração de cálcio parenteral, pois este tem efeito imediato na espoliação de potássio via tubular.
  2. B) É importante a sondagem vesical de demora para monitorização do débito urinário. No entanto, mesmo sem diurese após sondagem, não é possível afastar etiologia pós-renal.
  3. C) A relação ureia/creatinina elevada sugere etiologia pré-renal para a IRA. Desta forma, basta expansão volêmica com cristaloides para resolução do quadro.
  4. D) Deve-se instituir reposição vigorosa de bicarbonato de sódio parenteral pra normalização do pH e bicarbonato.
  5. E) Por tratar-se de caso de hipercalemia com anúria, a hemodiálise deve ser indicada imediatamente.

Pérola Clínica

IRA anúrica + hipercalemia + acidose → Emergência dialítica. Sondagem vesical é crucial para afastar obstrução pós-renal.

Resumo-Chave

Em um paciente com lesão renal aguda anúrica, hipercalemia grave e acidose metabólica, a sondagem vesical é um passo diagnóstico e terapêutico fundamental para descartar ou aliviar uma obstrução pós-renal, mesmo que a diálise seja indicada por outras emergências.

Contexto Educacional

A lesão renal aguda (LRA) é uma síndrome caracterizada por uma rápida perda da função renal, manifestada por elevação da creatinina sérica e/ou redução do débito urinário. A anúria, definida como débito urinário inferior a 100 mL em 24 horas, é uma forma grave de LRA e frequentemente indica uma emergência. A identificação precoce e o manejo adequado são cruciais para prevenir complicações e melhorar o prognóstico, sendo um tema de grande relevância na prática clínica e em provas de residência. Neste cenário, a presença de hipercalemia grave (K > 6,0 mEq/L) e acidose metabólica (pH < 7,3, bicarbonato < 18 mEq/L) são indicações clássicas de terapia renal substitutiva de urgência (diálise). No entanto, antes da diálise, é imperativo investigar e descartar causas pós-renais de anúria, como obstrução do trato urinário, que pode ser prontamente resolvida com a sondagem vesical. A etiologia pós-renal, mesmo sem diurese após sondagem, ainda pode existir em níveis mais altos (ex: obstrução ureteral bilateral), necessitando de exames de imagem. O manejo da LRA anúrica envolve a correção das emergências metabólicas (hipercalemia, acidose) e a identificação da causa subjacente. A administração de cálcio parenteral é a primeira medida na hipercalemia com alterações eletrocardiográficas, estabilizando a membrana cardíaca. A hemodiálise é o tratamento definitivo para as emergências dialíticas. A expansão volêmica deve ser cautelosa em pacientes anúricos para evitar sobrecarga. Residentes devem dominar a sequência de investigação e tratamento para otimizar os resultados.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais indicações de diálise de urgência em um paciente com lesão renal aguda?

As principais indicações de diálise de urgência são as vogais do mnemônico 'AEIOU': Acidose metabólica grave refratária, Eletrólitos (hipercalemia grave refratária), Intoxicações dialisáveis, Overload (sobrecarga volêmica refratária) e Uremia (encefalopatia, pericardite urêmica).

Qual o papel da sondagem vesical em um paciente com anúria e lesão renal aguda?

A sondagem vesical é crucial para monitorar o débito urinário e, principalmente, para descartar uma causa pós-renal de anúria, como obstrução infravesical. Se houver grande volume de urina residual, a obstrução é confirmada e aliviada.

Por que o cálcio parenteral é administrado na hipercalemia, e qual seu mecanismo de ação?

O cálcio parenteral (gluconato ou cloreto de cálcio) é administrado para estabilizar a membrana dos cardiomiócitos, protegendo o coração dos efeitos arritmogênicos da hipercalemia. Ele não reduz os níveis séricos de potássio, mas atua como um 'antídoto' cardíaco imediato.

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