LRA Pré-Renal por Hipovolemia: Diagnóstico e Manejo

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2025

Enunciado

Um paciente de 55 anos de idade, hipertenso e diabético, foi admitido no pronto-socorro com queixa de fraqueza oligúria (volume urinário de 300 mL/24h), nos últimos três dias. Faz uso de enalapril e metformina. Refere quadro gripal recente com febre baixa e inapetência. Ao exame físico apresenta PA 92 mmHg X 60 mmHg. FC 110 bpm, FR 18 jfpm, SatO2 De Exames laboratoriais mostraram creatinina 42/mg/dl basal (1.0 mg/dl). ureia 150 rog/dL sódio 118 mEq 1. e potássio 5.5 mEq/L. Considerando esse caso clínico, qual é a principal causa de lesão renal aguda nesse paciente?

Alternativas

  1. A) Necrose tubular aguda.
  2. B) Hipovolemia.
  3. C) Doença renal crônica descompensada.
  4. D) Glomerulonefrite rapidamente progressiva.

Pérola Clínica

Hipotensão + Taquicardia + Oligúria + ↑Cr/Ureia → LRA Pré-Renal (Hipovolemia).

Resumo-Chave

A desidratação por quadro gripal e inapetência, somada ao uso de IECA, precipitou a queda na perfusão renal e LRA pré-renal.

Contexto Educacional

A Lesão Renal Aguda (LRA) pré-renal é a causa mais comum de disfunção renal em pacientes hospitalizados e no pronto-socorro. Ela ocorre devido à hipoperfusão renal sem dano estrutural inicial ao parênquima. No caso clínico, a combinação de perdas volêmicas (febre, inapetência) e o uso de medicações que interferem na hemodinâmica renal (IECA) e podem causar acidose (metformina em vigência de LRA) agrava o quadro. O manejo clínico foca na restauração da volemia e na suspensão temporária de drogas nefrotóxicas ou que alteram a hemodinâmica intraglomerular. A monitorização do débito urinário e da função renal é mandatória para garantir que a fase pré-renal não evolua para necrose tubular aguda isquêmica.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar LRA pré-renal de Necrose Tubular Aguda (NTA)?

A diferenciação baseia-se na análise do sedimento urinário e índices urinários. Na LRA pré-renal, a fração de excreção de sódio (FeNa) é geralmente < 1% e a osmolaridade urinária é alta (> 500 mOsm/kg), refletindo a capacidade de reabsorção tubular preservada. Na NTA, há dano tubular, resultando em FeNa > 2%, cilindros granulosos 'marrom-terra' e osmolaridade urinária baixa (< 350 mOsm/kg). Clinicamente, a reversão rápida da creatinina após reposição volêmica favorece o diagnóstico de etiologia pré-renal.

Qual o papel do Enalapril na gênese da LRA neste paciente?

Os Inibidores da Enzima Conversora de Angiotensina (IECA), como o enalapril, bloqueiam a síntese de Angiotensina II, que é responsável pela vasoconstrição da arteríola eferente. Em estados de hipovolemia, a pressão de perfusão renal cai e o rim depende da Angiotensina II para manter a taxa de filtração glomerular (TFG) via vasoconstrição eferente. O uso de IECA impede esse mecanismo compensatório, levando a uma queda abrupta da TFG e azotemia pré-renal.

Por que o paciente apresenta hiponatremia?

A hiponatremia (118 mEq/L) neste contexto é provavelmente multifatorial. A hipovolemia estimula a liberação não osmótica de Hormônio Antidiurético (ADH) via barorreceptores, levando à reabsorção de água livre nos túbulos coletores. Além disso, a perda de fluidos (quadro gripal/inapetência) e o possível uso de diuréticos ou a própria fisiopatologia da hiperglicemia (se o diabetes estiver descompensado) podem contribuir para o distúrbio hidroeletrolítico.

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