TECM Teórica - Prova Teórica de Clínica Médica — Prova 2024
Homem, 80 anos, com hipertensão mal controlada, PA 170x100 mmHg, creatinina sérica 1,0 mg/dL e ureia 30 mg/dL. Passa em consulta com geriatra, que prescreve losartana, hidroclorotiazida e amlodipina para controle da pressão arterial. Após o início do tratamento, a pressão arterial fica estável em 120x60 mmHg, porém ocorre piora da função renal: creatinina sérica 1,8 mg/dL, ureia50 mg/dL, K 4,8 mEq/L. Qual é a causa mais provável para o aumento da creatinina nesse paciente?
Queda abrupta da PA no idoso → ↓ Perfusão renal → ↑ Creatinina (LRA pré-renal).
Idosos possuem autorregulação renal prejudicada; reduções drásticas da PA podem reduzir a taxa de filtração glomerular mesmo sem estenose arterial.
O manejo da hipertensão arterial no paciente idoso exige um equilíbrio delicado entre a prevenção de eventos cardiovasculares e a manutenção da perfusão orgânica. A autorregulação do fluxo sanguíneo renal é a capacidade do rim de manter uma Taxa de Filtração Glomerular (TFG) constante apesar de variações na Pressão Arterial Média (PAM). No envelhecimento, a curva de autorregulação desvia-se para a direita, exigindo pressões maiores para manter a filtração. A introdução simultânea de múltiplas classes (BRA, diurético e BCC) pode causar uma queda tensional que ultrapassa essa capacidade adaptativa, resultando em azotemia pré-renal. O ajuste medicamentoso deve priorizar a estabilidade funcional em detrimento de números pressóricos ideais.
O rim depende de uma pressão de perfusão adequada para manter a filtração glomerular. Em idosos, a autorregulação renal é menos eficiente devido à arteriosclerose e perda de néfrons. Quando a pressão arterial média cai abaixo do limite de autorregulação, a pressão hidrostática nos capilares glomerulares diminui, reduzindo a filtração e elevando a creatinina sérica, caracterizando uma LRA pré-renal funcional.
A Losartana, um bloqueador do receptor de angiotensina (BRA), promove vasodilatação da arteríola eferente. Isso reduz a pressão intraglomerular. Em situações de hipoperfusão sistêmica (baixa PA), o rim perde o mecanismo compensatório da angiotensina II (que contrairia a eferente para manter a filtração), exacerbando a queda da taxa de filtração glomerular.
O tratamento deve ser cauteloso, seguindo o princípio 'start low, go slow'. Metas muito agressivas (como < 120/80 mmHg) em pacientes muito idosos ou com múltiplas comorbidades podem levar a eventos adversos como quedas, síncope e lesão renal aguda. As diretrizes sugerem metas mais flexíveis (ex: < 140/90 mmHg) se houver má tolerância clínica.
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