TRALI: Diagnóstico Diferencial e Manejo da Lesão Pulmonar

SMS-RJ - Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2024

Enunciado

A transfusão de sangue pode salvar vidas e é relativamente segura. No entanto, a transfusão de sangue está associada a múltiplos desfechos adversos, incluindo complicações não infecciosas e infecciosas. Sobre a lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão, podemos afirmar, EXCETO:

Alternativas

  1. A) cirurgia hepática, alcoolismo, tabagismo e balanço hídrico positivo são importantes fatores de risco
  2. B) hipoxemia com evidência de infiltrados bilaterais em RX de tórax é um achado comum
  3. C) caracteriza-se por edema pulmonar cardiogênico, que ocorre no início da transfusão sanguínea
  4. D) em casos suspeitos, a infusão deve ser prontamente descontinuada

Pérola Clínica

TRALI = edema pulmonar NÃO cardiogênico. Suspender transfusão e suporte respiratório.

Resumo-Chave

A Lesão Pulmonar Aguda Relacionada à Transfusão (TRALI) é uma complicação grave, caracterizada por edema pulmonar não cardiogênico, que se manifesta com hipoxemia e infiltrados bilaterais no RX de tórax. É crucial diferenciar de sobrecarga circulatória associada à transfusão (TACO), que é cardiogênica.

Contexto Educacional

A Lesão Pulmonar Aguda Relacionada à Transfusão (TRALI) é uma das complicações mais graves e potencialmente fatais da transfusão de sangue, com uma incidência que varia, mas é reconhecida como a principal causa de morte relacionada à transfusão. É crucial para residentes e profissionais de saúde reconhecerem e manejarem essa condição para garantir a segurança do paciente. A fisiopatologia da TRALI envolve uma resposta inflamatória aguda no pulmão, geralmente desencadeada por anticorpos anti-HLA ou anti-neutrófilos presentes no plasma do doador que reagem com antígenos no receptor, ou por acúmulo de mediadores lipídicos bioativos nos produtos sanguíneos armazenados. Isso leva à ativação de neutrófilos no leito capilar pulmonar, resultando em dano endotelial e aumento da permeabilidade vascular, culminando em edema pulmonar não cardiogênico. O diagnóstico da TRALI é clínico e de exclusão, baseado no início agudo de hipoxemia e infiltrados pulmonares bilaterais em até 6 horas após a transfusão, na ausência de evidência de sobrecarga circulatória. O manejo é primariamente de suporte, com interrupção imediata da transfusão e suporte respiratório, que pode incluir ventilação mecânica. A prevenção foca na triagem de doadores e na utilização de produtos sanguíneos com menor risco, como plasma de doadores masculinos ou mulheres nulíparas.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para TRALI?

Os critérios incluem início agudo de hipoxemia (PaO2/FiO2 < 300 ou SpO2 < 90% em ar ambiente), infiltrados pulmonares bilaterais em radiografia de tórax, ausência de evidência de insuficiência cardíaca (edema pulmonar não cardiogênico) e ocorrência durante ou até 6 horas após a transfusão.

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de TRALI?

Fatores de risco incluem cirurgia recente (especialmente hepática), sepse, trauma, alcoolismo crônico, tabagismo, balanço hídrico positivo e condições inflamatórias pré-existentes. O tipo de produto sanguíneo e a presença de anticorpos anti-HLA ou anti-neutrófilos no doador também são importantes.

Qual a conduta inicial em caso de suspeita de TRALI?

A conduta inicial é interromper imediatamente a transfusão sanguínea. O tratamento é de suporte, incluindo oxigenoterapia, ventilação mecânica se necessário, e monitorização hemodinâmica. Não há tratamento específico além do suporte respiratório e hemodinâmico.

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