TRALI: Diagnóstico e Manejo da Lesão Pulmonar Pós-Transfusão

UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2015

Enunciado

Paciente no terceiro dia de pós-operatório de ressecção de glioblastoma cerebral, que evolui com hemorragia digestiva alta e necessita de transfusão de concentrado de hemácias. Duas horas após a transfusão, o paciente evolui com dispneia, hipoxemia, febre e infiltrados pulmonares bilaterais ao raio X de tórax. A principal hipótese diagnóstica consiste em síndrome da:

Alternativas

  1. A) Reação alérgica ao conservante do concentrado de hemácias.
  2. B) Reação não hemolítica febril por contaminação bacteriana.
  3. C) Lesão hemolítica aguda por incompatibilidade ABO.
  4. D) Lesão pulmonar aguda relacionada à transfusão.

Pérola Clínica

TRALI = dispneia, hipoxemia, febre, infiltrados pulmonares bilaterais 6h pós-transfusão.

Resumo-Chave

A TRALI é uma complicação grave da transfusão, caracterizada por edema pulmonar não cardiogênico. Ocorre geralmente nas primeiras 6 horas após a transfusão, com dispneia, hipoxemia e infiltrados bilaterais, sem evidência de sobrecarga volêmica.

Contexto Educacional

A Lesão Pulmonar Aguda Relacionada à Transfusão (TRALI) é uma das complicações transfusionais mais graves e uma causa importante de morbimortalidade. Caracteriza-se pelo início agudo de dispneia, hipoxemia e infiltrados pulmonares bilaterais, que se desenvolvem durante ou nas primeiras 6 horas após a transfusão de qualquer componente sanguíneo. A incidência varia, mas é crucial para o residente reconhecer rapidamente. A fisiopatologia da TRALI envolve a ativação de neutrófilos no leito vascular pulmonar, geralmente mediada por anticorpos anti-HLA ou anti-HNA presentes no plasma do doador, ou por mediadores biológicos acumulados em componentes sanguíneos armazenados. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios de Berlim para SARA, associado à temporalidade da transfusão e ausência de outros fatores de risco para SARA. O tratamento da TRALI é primariamente de suporte, com ênfase na oxigenação e ventilação mecânica, se necessário. Não há tratamento específico para reverter o processo. A prevenção envolve estratégias como a utilização de plasma de doadores masculinos ou de mulheres nulíparas, e a triagem de doadores para anticorpos anti-HLA/HNA, visando reduzir a exposição a esses fatores desencadeantes.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da TRALI?

Os principais sinais e sintomas da TRALI incluem dispneia aguda, hipoxemia, febre e infiltrados pulmonares bilaterais no raio-X de tórax, que se desenvolvem nas primeiras 6 horas após a transfusão.

Como diferenciar TRALI de outras reações transfusionais pulmonares, como a TACO?

A TRALI se diferencia da TACO (sobrecarga circulatória associada à transfusão) pela ausência de sinais de sobrecarga volêmica, como elevação da pressão venosa central ou BNP, e pela presença de edema pulmonar não cardiogênico.

Qual a conduta inicial em caso de suspeita de TRALI?

A conduta inicial inclui interromper imediatamente a transfusão, fornecer suporte respiratório (oxigenoterapia, ventilação mecânica se necessário) e realizar exames para descartar outras causas de dispneia aguda.

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