HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2021
Uma mulher de 60 anos, com anemia cronica decorrente de mielofibrose, é levada do consultório do oncologista à sala de emergência . Ela apresentava níveis de hemoglobina de 6 mg/dl. A paciente notou que estava bastante letárgica na semana anterior, além de ter sentido um leve desconforto torácico ao subir a escadaria da sua casa, na noite anterior. Foram realizadas uma tipagem e uma prova cruzada para 2 concentrados de hemácias , que foram fornecidas sem nenhum incidente. Os sintomas das pacientes melhoraram significamente. Enquanto recebia do médico emergencista as orientações para liberação, a paciente sentiu-se febril e com uma discreta falta de ar. Nos ninutos que se seguiram, sua dispneia piorou acentuadamente. Os sinais vitais foram avaliados e mostraram uma saturação de oxigênio de 93%, frequência cardíaca de 120 bpm e pressão arterial de 95/55 mmHg. O quadro da paciente continuou piorando, do ponto de vista respiratório, mesmo com o fornecimento de suplementação de oxigênio, e foi necessário realizar a intubação. Uma radiorafia torácica portátil mostrou evidências de infilração bilateral difusa. Qual das seguintes afirmativas é a mais correta acerca da condição dessa paciente?
TRALI = Edema pulmonar não cardiogênico pós-transfusão; diuréticos são ineficazes e podem piorar a hipotensão.
O quadro clínico da paciente, com dispneia aguda, febre, hipotensão e infiltrados pulmonares bilaterais após transfusão, é altamente sugestivo de TRALI (Lesão Pulmonar Aguda Relacionada à Transfusão). Diferente da sobrecarga circulatória associada à transfusão (TACO), a TRALI é um edema pulmonar não cardiogênico, onde a terapia diurética não é eficaz e pode agravar a hipotensão.
A Lesão Pulmonar Aguda Relacionada à Transfusão (TRALI) é uma complicação grave e potencialmente fatal da transfusão sanguínea, caracterizada por edema pulmonar não cardiogênico. É a principal causa de mortalidade relacionada à transfusão. A incidência varia, mas é uma condição que todo médico deve reconhecer, especialmente em ambientes de emergência e terapia intensiva. A fisiopatologia da TRALI envolve a ativação de neutrófilos no leito capilar pulmonar, geralmente mediada por anticorpos anti-HLA ou anti-neutrófilos presentes no plasma do doador, ou por mediadores biológicos acumulados em produtos sanguíneos armazenados. Essa ativação leva a danos endoteliais, aumento da permeabilidade capilar e extravasamento de fluido para o espaço alveolar, resultando em edema pulmonar e hipoxemia. O diagnóstico é clínico, baseado no início agudo de hipoxemia e infiltrados pulmonares bilaterais em até 6 horas após a transfusão, na ausência de outras causas de lesão pulmonar aguda e sem evidência de sobrecarga circulatória. O tratamento da TRALI é de suporte, com foco na otimização da oxigenação e ventilação. Muitos pacientes necessitam de ventilação mecânica invasiva. Diferentemente da sobrecarga circulatória associada à transfusão (TACO), diuréticos não são indicados e podem ser prejudiciais devido à associação frequente com hipotensão. O prognóstico da TRALI é variável, com taxas de mortalidade que podem chegar a 5-10%, mas a maioria dos pacientes se recupera completamente. A prevenção envolve o uso de produtos sanguíneos com baixo teor de plasma de doadoras multíparas ou doadores com histórico de TRALI.
Os critérios para TRALI incluem início agudo de hipoxemia (PaO2/FiO2 ≤ 300 ou SatO2 < 90% em ar ambiente), infiltrados pulmonares bilaterais na radiografia de tórax, ausência de evidência de sobrecarga circulatória e ocorrência dentro de 6 horas após a transfusão.
TRALI geralmente cursa com hipotensão e ausência de sinais de sobrecarga volêmica (como aumento da pressão venosa central ou cardiomegalia), sendo um edema pulmonar não cardiogênico. TACO, por outro lado, apresenta hipertensão, sinais de sobrecarga volêmica e é um edema pulmonar cardiogênico.
O manejo da TRALI é principalmente de suporte, incluindo oxigenoterapia, ventilação mecânica se necessário e manutenção da pressão arterial. Diuréticos são contraindicados devido ao risco de piorar a hipotensão, e não há tratamento específico além do suporte.
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