UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2023
Mulher de 66 anos, hipertensa, com insuficiência cardíaca e diagnóstico de mielofibrose primária, com necessidade de suporte transfusional semanal, procura o ambulatório de hematologia para transfusão de concentrado de hemácias. Após 30 minutos do início da infusão, a paciente apresenta febre de 38,3°C, dispneia e dessaturação. A radiografia de tórax evidencia infiltrado alveolar bilateral difuso. Não havia icterícia, dor abdominal ou alteração da cor da urina. Nesse caso, a reação transfusional está associada a:
Febre, dispneia, dessaturação e infiltrado pulmonar bilateral pós-transfusão, sem sinais de hemólise = TRALI.
A Lesão Pulmonar Aguda Relacionada à Transfusão (TRALI) é uma complicação grave caracterizada por início agudo de hipoxemia e infiltrados pulmonares bilaterais após a transfusão, na ausência de sobrecarga circulatória. É a principal causa de mortalidade relacionada à transfusão e deve ser prontamente reconhecida.
As reações transfusionais são eventos adversos que podem ocorrer durante ou após a transfusão de componentes sanguíneos, e seu reconhecimento e manejo são competências essenciais para residentes. A Lesão Pulmonar Aguda Relacionada à Transfusão (TRALI) é uma das complicações mais graves, sendo a principal causa de mortalidade relacionada à transfusão, com uma incidência estimada de 1 em 5.000 a 1 em 10.000 transfusões. A TRALI é caracterizada pelo início agudo de dispneia, hipoxemia e infiltrados pulmonares bilaterais na radiografia de tórax, que se desenvolvem dentro de 6 horas após a transfusão. A fisiopatologia envolve a ativação de neutrófilos pulmonares, geralmente por anticorpos anti-HLA ou anti-neutrófilos presentes no plasma do doador, levando a dano endotelial e aumento da permeabilidade capilar, resultando em edema pulmonar não cardiogênico. O caso clínico apresentado, com febre, dispneia, dessaturação e infiltrado alveolar bilateral sem sinais de hemólise ou sobrecarga, é altamente sugestivo de TRALI. O manejo da TRALI é de suporte, com ventilação mecânica e oxigenoterapia, se necessário. Não há tratamento específico, mas a identificação precoce e o suporte agressivo são cruciais para a sobrevida. A prevenção envolve a triagem de doadores, especialmente mulheres multíparas, para anticorpos anti-HLA e a utilização preferencial de plasma de homens ou mulheres nulíparas. É fundamental diferenciar TRALI de outras reações transfusionais, como a sobrecarga circulatória associada à transfusão (TACO) e a reação hemolítica aguda, para garantir o tratamento correto.
Os critérios diagnósticos para TRALI incluem início agudo de hipoxemia (PaO2/FiO2 < 300 ou SpO2 < 90% em ar ambiente), infiltrados pulmonares bilaterais na radiografia de tórax, ausência de evidência de sobrecarga circulatória, e ocorrência dentro de 6 horas após o término da transfusão.
A TRALI é geralmente desencadeada por anticorpos anti-HLA ou anti-neutrófilos presentes no plasma do doador que ativam neutrófilos no pulmão do receptor, levando à liberação de mediadores inflamatórios, dano endotelial e aumento da permeabilidade capilar pulmonar, resultando em edema pulmonar não cardiogênico.
A diferenciação entre TRALI e TACO (Sobrecarga Circulatória Associada à Transfusão) é crucial. TRALI cursa com hipoxemia grave, infiltrados pulmonares e geralmente normovolemia ou hipotensão, sem sinais de insuficiência cardíaca. TACO, por outro lado, apresenta sinais de sobrecarga volêmica, como elevação da pressão venosa central, edema periférico, hipertensão e resposta a diuréticos.
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