Úlceras de Pressão: Fisiopatologia e Estadiamento

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2024

Enunciado

Suporte prolongado de peso em paciente imobilizados ou paralisados pode resultar em lesão tecidual extensa relacionada ao decúbito (úlceras de pressão). Assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Em modelos de isquemia, a pressão externa maior que 60 mmHg por 2 horas acarreta dano tecidual irreversível.
  2. B) No estágio I a pele apresenta bolhas e outros pontos de rotura na derme.
  3. C) No estágio IV há perda total da espessura do tecido sem exposição óssea.
  4. D) A reconstrução com retalhos não é necessária na maioria das úlceras de pressão porque tendem a cicatrizar bem com fechamento primário ou enxerto.
  5. E) A úlcera isquiática uni ou bilateral se desenvolve em indivíduos imobilizados em posição supina ou semirreclinada.

Pérola Clínica

Pressão > 60 mmHg por 2h → Dano tecidual irreversível em modelos de isquemia.

Resumo-Chave

As úlceras de pressão resultam de isquemia tecidual prolongada. Entender os limiares de pressão e tempo para dano irreversível é crucial para a prevenção e manejo, especialmente em pacientes imobilizados, onde a pressão capilar é excedida.

Contexto Educacional

As úlceras de pressão, agora mais comumente chamadas de lesões por pressão, representam um grave problema de saúde pública, afetando pacientes imobilizados ou com mobilidade reduzida. Elas resultam da isquemia tecidual prolongada causada pela compressão dos capilares sanguíneos entre uma proeminência óssea e uma superfície externa. A compreensão da fisiopatologia e do estadiamento é fundamental para a prevenção e o tratamento eficaz. Estudos em modelos de isquemia demonstram que uma pressão externa superior a 60 mmHg por apenas 2 horas pode levar a dano tecidual irreversível. Isso ocorre porque a pressão excede a pressão capilar normal (aproximadamente 20-30 mmHg), impedindo o fluxo sanguíneo e a oxigenação dos tecidos. O estadiamento das lesões por pressão é crucial para guiar a conduta, variando de eritema não branqueável (Estágio I) a perda total da espessura do tecido com exposição óssea ou muscular (Estágio IV). Para o residente, a prevenção é a melhor estratégia, incluindo mudança de decúbito regular, uso de superfícies de alívio de pressão, nutrição adequada e controle da umidade. O tratamento de úlceras estabelecidas pode ser complexo, envolvendo desbridamento, curativos adequados e, em casos avançados, reconstrução cirúrgica com retalhos, que é frequentemente necessária para lesões profundas, ao contrário do que se pensa sobre fechamento primário ou enxerto. A úlcera isquiática, por exemplo, é comum em pacientes sentados ou em cadeira de rodas, não em posição supina.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de úlceras de pressão?

Os principais fatores incluem imobilidade prolongada, desnutrição, umidade excessiva, fricção e cisalhamento da pele, idade avançada, doenças crônicas e déficits neurológicos que afetam a sensibilidade.

Como é feito o estadiamento das úlceras de pressão?

O estadiamento varia de Estágio I (pele íntegra com eritema não branqueável) a Estágio IV (perda total da espessura do tecido com exposição óssea, muscular ou tendínea), além de lesão por pressão tissular profunda e não estadiável.

Qual a importância da reconstrução com retalhos no tratamento de úlceras de pressão?

A reconstrução com retalhos é frequentemente necessária para úlceras de pressão profundas e crônicas, especialmente nos estágios III e IV, pois permite o fechamento da ferida, a cobertura de estruturas nobres e a prevenção de recorrências, algo que o fechamento primário ou enxerto nem sempre conseguem.

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