HVC - Hospital Vera Cruz (SP) — Prova 2023
Homem, 70 anos de idade, internado há 60 dias por acidente vascular encefálico. Encontra-se em leito de enfermaria, em uso de traqueostomia, gastrostomia para alimentação e sondagem vesical de demora por bexiga neurogênica. Após os primeiros 21 dias de internação, o paciente desenvolveu lesão por pressão em região sacral, sendo avaliado pela equipe de Cirurgia, que orientou alternância de decúbito, nutrição adequada e cuidados locais com a ferida. Há dois dias, o paciente passou a apresentar episódios de febre de 38°C, associados a calafrios, evoluindo hoje com sonolência e hipotensão arterial. Foi solicitada nova avaliação da equipe de Cirurgia. A lesão sacral é mostrada a seguir. Em relação ao caso apresentado, é correto afirmar:
LPP com sinais sistêmicos de sepse: investigar outros focos (ITU, pneumonia) antes de atribuir à lesão superficial.
Em pacientes acamados e cronicamente internados com múltiplos dispositivos (traqueostomia, gastrostomia, sonda vesical), a febre e sinais de sepse podem ter origem em diversos sítios. Embora a lesão por pressão possa infectar, a sepse grave geralmente indica um foco mais profundo ou sistêmico, como pneumonia associada à ventilação ou infecção do trato urinário.
Pacientes idosos, acamados e com múltiplos dispositivos invasivos, como traqueostomia, gastrostomia e sondagem vesical de demora, apresentam alto risco para o desenvolvimento de infecções hospitalares. A presença de lesões por pressão é comum nesse perfil de paciente, mas nem sempre é o foco primário de uma infecção sistêmica grave, como a sepse. A febre, calafrios, sonolência e hipotensão arterial são sinais de sepse, indicando uma infecção que exige investigação e tratamento urgentes. Embora a lesão por pressão possa estar infectada, a probabilidade de ser o único foco responsável por um quadro de sepse grave é menor, especialmente quando há outros sítios de alto risco. Infecções do trato urinário (associadas à sonda vesical) e pneumonias (associadas à traqueostomia e imobilidade) são causas muito mais comuns de sepse nesses pacientes. Portanto, a investigação deve ser ampla, incluindo urocultura, hemocultura, radiografia de tórax e, se necessário, culturas de secreções respiratórias. O tratamento inicial da sepse envolve suporte hemodinâmico, coleta de culturas e início de antibioticoterapia empírica de amplo espectro, ajustada posteriormente conforme os resultados das culturas e o foco infeccioso identificado. O desbridamento cirúrgico da lesão por pressão é indicado em casos de infecção local grave ou osteomielite, mas não deve atrasar a investigação e o tratamento sistêmico da sepse.
Em pacientes idosos acamados com traqueostomia, gastrostomia e sonda vesical, os principais sítios de infecção incluem trato urinário (ITU), trato respiratório (pneumonia associada à ventilação) e infecções relacionadas a cateteres, além da pele.
Uma lesão por pressão é um foco provável de sepse quando há sinais claros de infecção local profunda (celulite extensa, secreção purulenta abundante, crepitação) e exclusão de outros focos. No entanto, a sepse grave geralmente sugere um foco mais sistêmico ou profundo.
É crucial investigar outros focos porque a sepse em pacientes com LPP frequentemente não é causada pela lesão superficial, mas sim por infecções mais graves como pneumonia ou ITU, que exigem tratamento específico e podem ser a causa primária da deterioração clínica.
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