UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025
Mulher, 37a, internada na enfermaria há cinco dias para tratamento de sepse de foco pulmonar. Antecedentes pessoais: hipotireoidismo e paraplegia há cinco anos, após acidente automobilístico. Medicações em uso: levotiroxina 50mcg e amoxicilina-clavulanato. Exame físico: T = 36,5ºC, PA = 112/70 mmHg, FC = 98 bpm, FR = 22 irpm, oximetria de pulso = 94% sob cateter 2l/min, estertores em terço médio pulmonar direito, ausculta cardíaca normal. Tempo de enchimento capilar = 2s. Pele sem alterações. Para esta paciente, a medida mais importante para prevenção de lesão por pressão é:
Prevenção de LPP → Mudança de decúbito a cada 2h = Padrão-ouro.
Em pacientes com mobilidade reduzida, a redistribuição frequente da pressão sobre proeminências ósseas é a medida isolada mais eficaz para evitar isquemia tecidual.
As lesões por pressão (LPP) representam um grave problema de saúde pública, aumentando a morbidade, o tempo de internação e os custos hospitalares. A fisiopatologia baseia-se na pressão externa superior à pressão de enchimento capilar (aproximadamente 32 mmHg), o que gera hipóxia tecidual, acúmulo de metabólitos tóxicos e morte celular. Pacientes paraplégicos, como o caso clínico apresentado, possuem múltiplos fatores de risco: imobilidade, perda de sensibilidade e, muitas vezes, alterações autonômicas que afetam a perfusão periférica. A Escala de Braden é a ferramenta mais utilizada para estratificar esse risco. O manejo preventivo deve ser multidisciplinar, envolvendo médicos, enfermeiros e nutricionistas.
A recomendação clássica para pacientes acamados com alto risco de lesão por pressão é a mudança de decúbito a cada 2 horas. Esse intervalo visa interromper a pressão contínua sobre proeminências ósseas (como sacro, calcâneos e trocanteres) antes que ocorra isquemia tecidual irreversível. Em cadeiras de rodas, o reposicionamento deve ser ainda mais frequente, idealmente a cada 15 a 30 minutos.
Além da mudança de decúbito, a prevenção envolve o uso de superfícies de suporte (colchões de ar ou espuma especial), manutenção da pele limpa e seca (evitando umidade por incontinência), nutrição proteico-calórica adequada e inspeção diária da pele. Em pacientes paraplégicos, a perda da sensibilidade protetora torna a vigilância visual e o manejo da pressão responsabilidades críticas da equipe de cuidados.
A desnutrição, especialmente a deficiência proteica, reduz a tolerância do tecido à pressão e retarda a cicatrização. Pacientes em estado catabólico ou com baixos níveis de albumina têm maior risco de desenvolver lesões. Embora a suplementação ajude na recuperação, ela não substitui a necessidade mecânica de aliviar a pressão através do reposicionamento frequente.
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