Lesão por Pressão Estágio 2: Diagnóstico e Conduta

CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2026

Enunciado

Você é chamado para avaliar um paciente idoso e emagrecido na enfermaria da Clínica Médica, acamado por sequela de AVC prévio e internado para tratamento de uma pneumonia. Durante a visita de rotina, a enfermagem identificou uma lesão na região sacral e solicitou seu parecer. Ao exame físico, observa-se área ulcerada superficial, de cerca de 5cm de diâmetro, com perda parcial da pele e exposição da derme, de coloração rosada, com pouca umidade, sem presença de tecido desvitalizado. Não há flutuação, drenagem de secreção ou odor fétido. Não há exposição de tecidos profundos. A borda da lesão é bem definida e a pele ao redor está íntegra e sem sinais flogísticos. Sobre o caso, assinale a alternativa INCORRETA:

Alternativas

  1. A) Devido a proximidade com o ânus e provável contaminação fecal, podemos afirmar que se trata de ferida infectada, sendo indicado a antibioticoterapia com cobertura para flora polimicrobiana e reavaliação da lesão em 48 a 72 horas.
  2. B) Os dados descritos nos permitem inferir que houve falha nas condutas preventivas deste tipo de lesão, tais como o uso de colchões tipo “casca de ovo” e a mudança de decúbito de horário.
  3. C) O ferimento ocorreu devido a pressão que o osso sacro exerce nos tecidos moles adjacentes em contato com o leito, levando a isquemia e perda da pele.
  4. D) Fazem parte do tratamento deste paciente o desbridamento não cirúrgico do tecido desvitalizado, suporte nutricional adequado e uso de agentes tópicos a base de hidrogel.

Pérola Clínica

Lesão por pressão estágio 2 = perda parcial da derme, leito rosado, sem esfacelo.

Resumo-Chave

A lesão por pressão estágio 2 envolve epiderme e derme superficial. A ausência de sinais flogísticos e secreção purulenta contraindica antibioticoterapia sistêmica inicial.

Contexto Educacional

As lesões por pressão (LPP) resultam da compressão prolongada de tecidos moles entre uma proeminência óssea e uma superfície externa, levando à isquemia e necrose. O estágio 2 caracteriza-se por uma úlcera aberta superficial com leito de coloração vermelho-rosa, sem esfacelo ou tecido desvitalizado. A prevenção baseia-se na avaliação de risco (Escala de Braden), suporte nutricional, manejo da umidade e redistribuição da pressão. O tratamento local foca na manutenção de um ambiente úmido e proteção contra traumas, utilizando coberturas como hidrocoloides ou filmes transparentes, dependendo do exsudato. O desbridamento só é necessário se houver tecido necrótico, o que não ocorre no estágio 2 puro.

Perguntas Frequentes

Quando indicar antibiótico em lesões por pressão?

A antibioticoterapia sistêmica está indicada apenas em casos de infecção clínica evidente, como celulite perilesional, osteomielite, sepse de foco cutâneo ou presença de secreção purulenta com sinais flogísticos sistêmicos. Feridas superficiais (estágio 1 e 2) sem sinais de infecção devem ser tratadas apenas com medidas locais e alívio da pressão.

Qual a diferença entre estágio 2 e estágio 3?

No estágio 2, há perda parcial da espessura da pele envolvendo a epiderme, derme ou ambas, apresentando-se como uma úlcera superficial ou bolha. No estágio 3, ocorre perda total da espessura da pele com exposição da gordura subcutânea (tecido adiposo), mas sem exposição de ossos, tendões ou músculos.

O uso de 'casca de ovo' é eficaz?

Embora popular, o colchão tipo 'casca de ovo' (espuma de baixa densidade) tem eficácia limitada na redistribuição de pressão em pacientes de alto risco. Recomenda-se o uso de superfícies de suporte dinâmicas (colchões de ar) ou espumas de alta tecnologia, aliados à mudança de decúbito rigorosa a cada 2 horas.

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