Lesão por Pressão Sacral: Opções de Reconstrução Cirúrgica

PSU-AL - Processo Seletivo Unificado de Alagoas — Prova 2024

Enunciado

Paciente, sexo feminino, 75 anos de idade, acamada por sequela de acidente vascular cerebral há dois anos, é trazida por familiares à Unidade de Saúde por apresentar ferida em região sacral há seis meses. A filha relata que a paciente não deambula e permanece em decúbito dorsal a maior parte do tempo. A paciente recebe visitas semanais da Equipe de Saúde da Família, da área, que orienta os cuidados e a troca do curativo da ferida sacral. Ao exame físico, regular estado geral, descorada +1/+4, afebril, FC: 62bpm, PA: 108x68mmHg; ausculta cardíaca e respiratória sem alterações; ferida em região sacral medindo cerca de 10cm, com exposição de musculatura glútea, presença de tecido necrótico sem secreção purulenta ou odor fétido.Indique a conduta terapêutica mais adequada para o tratamento definitivo da ferida:

Alternativas

  1. A) Realizar curativo diário com alginato de prata para ocorrer cicatrização por segunda intenção.
  2. B) Realizar retalho cutâneo local.
  3. C) Realizar enxerto de pele total.
  4. D) Realizar retalho fasciocutâneo do glúteo.

Pérola Clínica

Lesão por pressão Estágio IV (exposição muscular/óssea) → Tratamento definitivo com retalhos (ex: fasciocutâneo).

Resumo-Chave

Feridas com exposição de tecidos profundos em região sacral exigem cobertura com tecido bem vascularizado e espesso; o retalho fasciocutâneo é superior ao enxerto por suportar melhor a pressão.

Contexto Educacional

As lesões por pressão (LPP) são complicações graves da imobilidade prolongada, comuns em pacientes com sequelas neurológicas. O Estágio IV é definido pela perda total da espessura tecidual, expondo fáscia, músculo, tendão ou osso. O tratamento conservador com curativos especiais (como alginato) é útil apenas para preparo do leito, mas não promove o fechamento definitivo de grandes defeitos cavitários. A cirurgia reparadora com retalhos é o padrão para reconstrução sacral. O retalho fasciocutâneo do glúteo, frequentemente utilizando a técnica de avanço em V-Y, é uma das opções mais eficazes. Ele preserva a função muscular (importante se o paciente ainda tiver mobilidade) e oferece uma cobertura duradoura. O sucesso do tratamento depende da abordagem multidisciplinar, focando na nutrição, controle de comorbidades e, crucialmente, na educação dos cuidadores para o manejo da pressão.

Perguntas Frequentes

Por que o retalho é preferível ao enxerto em lesões sacrais?

Enxertos de pele são finos e dependem totalmente da vascularização do leito receptor para sobreviver. Em lesões de estágio IV com exposição óssea ou muscular, o leito costuma ser pobremente vascularizado. Além disso, o enxerto não provê o amortecimento necessário para uma área que sofre pressão constante. Os retalhos (fasciocutâneos ou miocutâneos) levam seu próprio suprimento sanguíneo e oferecem uma camada espessa de tecido que suporta melhor as forças de pressão e cisalhamento, reduzindo o risco de nova abertura da ferida.

Qual a vantagem do retalho fasciocutâneo sobre o cutâneo simples?

O retalho fasciocutâneo inclui a fáscia muscular profunda junto com a pele e o tecido subcutâneo. A inclusão da fáscia preserva os plexos vasculares pré-fasciais e subfasciais, garantindo uma irrigação sanguínea muito mais robusta e confiável. Isso aumenta significativamente a taxa de sucesso da integração do retalho, especialmente em pacientes idosos ou com comorbidades vasculares, além de proporcionar uma cobertura mais estável e resistente a longo prazo.

Quais os critérios para indicar o tratamento cirúrgico definitivo?

Antes da reconstrução com retalho, é essencial que a ferida esteja limpa, sem tecidos necróticos ou infecção ativa (osteomielite deve ser tratada). O estado nutricional do paciente deve ser otimizado (idealmente albumina > 3.5 g/dL) para garantir a cicatrização. Além disso, deve haver um plano de cuidados pós-operatórios rigoroso, incluindo superfícies de alívio de pressão (colchões de ar) e protocolos de mudança de decúbito, para evitar a falha do retalho por isquemia compressiva precoce.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo