Tratamento de Lesão por Pressão com Papaína e Proteção

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 74 anos, hipertenso e diabético, encontra-se acamado devido a sequela de acidente vascular cerebral isquêmico. Apresenta uma lesão por pressão em região sacral, classificada como estágio 3, medindo 6 cm x 4 cm. Ao exame físico, o leito da ferida é composto por 70% de esfacelo amarelado, denso e aderente, e 30% de tecido de granulação avermelhado. Observa-se exsudato seroso em moderada quantidade. A pele perilesional encontra-se íntegra, porém com sinais evidentes de maceração, apresentando aspecto esbranquiçado e úmido. Não há odor fétido, flutuação ou sinais inflamatórios sistêmicos. O paciente é normotérmico. Com base nesse quadro clínico, a conduta mais adequada para o tratamento tópico inicial dessa lesão é:

Alternativas

  1. A) Uso de colagenase pomada em todo o leito da lesão, associada à cobertura por filme transparente de poliuretano.
  2. B) Cobertura com placa de alginato de cálcio estendendo-se por 3 cm além das bordas da ferida para absorver o exsudato.
  3. C) Aplicação de papaína a 10% estritamente sobre as áreas de esfacelo e proteção da pele perilesional com creme de óxido de zinco.
  4. D) Aplicação de placa de hidrocoloide com trocas programadas a cada 7 dias para favorecer o desbridamento autolítico.

Pérola Clínica

Esfacelo denso + exsudato → Papaína (desbridamento) + Proteção perilesional (óxido de zinco).

Resumo-Chave

O tratamento de lesões com esfacelo requer desbridamento ativo; a papaína é eficaz, mas exige proteção da pele íntegra adjacente para evitar danos por maceração ou irritação.

Contexto Educacional

A lesão por pressão estágio 3 envolve perda total da espessura da pele, onde a gordura subcutânea pode estar visível, mas ossos, tendões ou músculos não estão expostos. A presença de esfacelo (tecido desvitalizado amarelado) indica a necessidade de desbridamento para reduzir a carga bacteriana e permitir a progressão para a fase de granulação. A papaína, uma enzima proteolítica extraída do mamão, é amplamente utilizada por sua ação seletiva em tecidos desvitalizados. O manejo adequado do exsudato é crucial. A maceração perilesional, descrita no caso, sinaliza que a umidade não está sendo devidamente controlada ou que a pele adjacente não está protegida. O uso de barreiras como o óxido de zinco cria uma camada hidrofóbica que protege o estrato córneo. A escolha do curativo secundário deve complementar a ação da papaína, mantendo o meio úmido ideal sem excessos.

Perguntas Frequentes

Qual a concentração ideal de papaína para desbridamento?

A concentração de papaína varia conforme o tecido: 10% para tecidos necróticos ou esfacelos densos, 4-6% para esfacelos mais finos ou liquefação, e 2% para favorecer a granulação. Em lesões com 70% de esfacelo denso, a concentração de 10% é a mais indicada para promover a limpeza enzimática eficaz.

Como prevenir a maceração da pele perilesional?

A proteção da pele perilesional é fundamental em feridas exsudativas. Deve-se utilizar barreiras físicas como creme de óxido de zinco, pasta d'água ou películas protetoras (barreiras líquidas) para evitar que o exsudato ou o agente desbridante causem maceração e degradação da pele íntegra ao redor da lesão.

Por que não usar hidrocoloide em feridas muito exsudativas?

O hidrocoloide tem capacidade de absorção limitada. Em feridas com exsudato moderado a intenso, o uso de hidrocoloide pode levar ao acúmulo de fluido sob a placa, favorecendo a maceração perilesional e o descolamento precoce do curativo, além de aumentar o risco de infecção local.

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