Prevenção de Lesão por Pressão: Nutrição em Pacientes Acamados

PUC-PR Saúde - Pontifícia Universidade Católica do Paraná — Prova 2024

Enunciado

Paciente de 72 anos de idade interna por 12 horas de evolução de hemiparesia à esquerda e afasia. Previamente hipertenso, diabético, em uso de enalapril 10mg a cada 12 horas, hidroclorotiazida 12,5mg ao dia, metformina 850mg 3 vezes ao dia. Familiares relatam que o paciente apresenta perda ponderal iniciada há 6 meses. Ao exame, apresentase emagrecido, com pressão arterial=154/86 mmHg, força motora grau 1 à esquerda e afasia global. Considerando o caso, assinale a assertiva CORRETA.

Alternativas

  1. A) A evidência de alto nível é que, em casos como esse, o reposicionamento do paciente no leito deve ser feito no máximo a cada 3 horas.
  2. B) A condição do paciente não aumenta de forma significativa o risco de lesão por pressão, sendo o cuidado padrão e reavaliação diária a indicação no caso.
  3. C) A definição de um plano nutricional que garanta o aporte adequado é necessária, também para reduzir a chance da ocorrência de lesões por pressão.
  4. D) A medida mais importante para redução da chance de lesão por pressão, neste caso, é a hidratação e uso de creme de barreira para proteção da pele.
  5. E) A redistribuição de pressão, utilizando-se colchão de ar pneumático, não apresenta benefício na redução de lesão por pressão e, com alto custo, deve ser evitada.

Pérola Clínica

Paciente acamado, desnutrido e com AVC → Alto risco de lesão por pressão; nutrição adequada é essencial na prevenção.

Resumo-Chave

Pacientes idosos, acamados por AVC com hemiparesia e afasia, e com perda ponderal (indicando desnutrição), possuem alto risco de desenvolver lesões por pressão. Um plano nutricional adequado é crucial para a integridade da pele e cicatrização, sendo uma medida preventiva fundamental.

Contexto Educacional

Lesões por pressão (LPP), anteriormente conhecidas como úlceras de decúbito, são um grave problema de saúde, especialmente em pacientes idosos, acamados e com múltiplas comorbidades. Elas resultam da pressão prolongada sobre a pele e tecidos subjacentes, levando à isquemia e necrose. Pacientes com AVC, como o descrito, apresentam alto risco devido à imobilidade (hemiparesia), alterações da sensibilidade e, frequentemente, desnutrição ou risco nutricional. A prevenção de LPP é multifatorial e exige uma abordagem abrangente. Embora o reposicionamento frequente (geralmente a cada 2 horas) e o uso de superfícies de alívio de pressão (como colchões pneumáticos) sejam cruciais, a nutrição desempenha um papel igualmente vital. A perda ponderal relatada no paciente indica um estado de desnutrição, que compromete a integridade da pele, a capacidade de cicatrização e a resposta imunológica, aumentando exponencialmente o risco de LPP e suas complicações. Portanto, a definição de um plano nutricional individualizado que garanta o aporte adequado de calorias, proteínas, vitaminas e minerais é uma medida preventiva essencial. A hidratação e o uso de cremes de barreira são importantes, mas secundários a uma boa nutrição sistêmica. Para residentes, é fundamental reconhecer a desnutrição como um fator de risco modificável e integrar a avaliação e intervenção nutricional no plano de cuidados de pacientes de alto risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para o desenvolvimento de lesões por pressão?

Os principais fatores de risco incluem imobilidade prolongada, desnutrição, idade avançada, doenças crônicas (diabetes, hipertensão), incontinência, alterações da sensibilidade e condições que afetam a perfusão tecidual.

Como a nutrição adequada contribui para a prevenção de lesões por pressão?

A nutrição adequada fornece os substratos necessários para a manutenção da integridade da pele, síntese de colágeno, função imunológica e cicatrização. A desnutrição, especialmente proteico-calórica, aumenta a fragilidade da pele e retarda a recuperação.

Quais são as medidas essenciais na prevenção de lesões por pressão em pacientes com AVC?

As medidas incluem reposicionamento frequente (a cada 2 horas), avaliação nutricional e suplementação, hidratação da pele, uso de superfícies de alívio de pressão (colchões e coxins), e manejo da incontinência.

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