Lesão por Pressão: Manejo Cirúrgico e Reconstrução

HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 33 anos, vítima de trauma raquimedular há 7 anos e com paraplegia de MMII é trazida por familiares por ferida que não cicatriza. Ao exame clínico, é identificada uma lesão em região glútea esquerda de aproximadamente 5,0 x 3,0 cm de área com perda de epitélio e subcutâneo, e profundidade de 2,0 cm, sem identificação de osso ou músculo, com fundo de fibrina e hiperemia em bordas. Com relação a esse caso assinale a afirmativa correta:

Alternativas

  1. A) As infecções dessas lesões são geralmente causadas por Streptococcus e deve se fazer a cobertura para bactérias gram positivas apenas.
  2. B) A reconstrução com enxertos normalmente não é utilizada a não ser em casos de lesões superficiais.
  3. C) A desnutrição é o fator mais importante a ser corrigido para a resolução da lesão.
  4. D) A utilização de retalhos locais está contraindicada pelo risco de cisalhamento.

Pérola Clínica

Lesões por pressão profundas (estágio III/IV) → reconstrução com retalhos é preferível a enxertos.

Resumo-Chave

Lesões por pressão em pacientes paraplégicos, especialmente as mais profundas (estágio III ou IV), requerem uma abordagem cirúrgica complexa. Enxertos de pele são geralmente inadequados para lesões com perda de volume significativo, sendo os retalhos miocutâneos ou fasciocutâneos a opção mais robusta para preencher o defeito e fornecer tecido bem vascularizado.

Contexto Educacional

As lesões por pressão, também conhecidas como úlceras de decúbito, representam um desafio significativo na prática clínica, especialmente em pacientes com mobilidade reduzida ou acamados. Elas são definidas como uma lesão localizada na pele e/ou tecido subjacente, geralmente sobre uma proeminência óssea, resultante de pressão ou pressão em combinação com cisalhamento. A compreensão de sua fisiopatologia e classificação é crucial para o manejo adequado e prevenção de complicações. O diagnóstico e a avaliação da lesão por pressão envolvem a identificação do estágio da lesão, a presença de infecção, a avaliação do estado nutricional do paciente e a identificação de fatores de risco. A infecção dessas lesões é frequentemente polimicrobiana, envolvendo bactérias Gram-positivas e Gram-negativas, exigindo uma cobertura antibiótica de amplo espectro quando indicada. A desnutrição é um fator agravante importante, mas não o único, e sua correção é parte de uma abordagem multidisciplinar. O tratamento das lesões por pressão varia conforme o estágio e a profundidade. Para lesões superficiais, o tratamento conservador e o uso de enxertos de pele podem ser eficazes. No entanto, para lesões profundas (estágios III e IV), com grande perda de tecido ou exposição de estruturas nobres, a reconstrução com retalhos (miocutâneos ou fasciocutâneos) é a técnica de escolha. Retalhos fornecem tecido bem vascularizado e volume, essenciais para o preenchimento do defeito e a prevenção de recidivas, sendo mais resistentes ao cisalhamento do que enxertos.

Perguntas Frequentes

Quais são os estágios das lesões por pressão e suas características?

As lesões por pressão são classificadas em estágios de 1 a 4, além de lesão tecidual profunda suspeita e lesão não classificável. O estágio 1 envolve pele íntegra com eritema não branqueável; o estágio 2, perda parcial da espessura da derme; o estágio 3, perda total da espessura com exposição de tecido subcutâneo; e o estágio 4, perda total da espessura com exposição de osso, músculo ou tendão.

Por que retalhos são preferidos em lesões por pressão profundas em vez de enxertos?

Retalhos fornecem tecido com suprimento sanguíneo próprio, volume e acolchoamento, sendo ideais para preencher grandes defeitos e cobrir estruturas nobres como ossos e articulações. Enxertos de pele, por outro lado, são finos e dependem do leito receptor para vascularização, sendo mais adequados para lesões superficiais com leito bem granulado.

Quais são os fatores de risco mais importantes para o desenvolvimento de lesões por pressão?

Os principais fatores de risco incluem imobilidade prolongada, desnutrição, incontinência urinária e fecal, idade avançada, doenças crônicas (diabetes, insuficiência vascular) e alterações neurológicas que afetam a sensibilidade e a mobilidade, como o trauma raquimedular.

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