USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2021
Homem de 62 anos foi resgatado pelo Corpo de Bombeiros do segundo andar de um prédio em chamas e levado para o setor de emergência de um hospital. Um familiar relatou que o paciente ficou preso por alguns minutos no cômodo que pegou fogo. Ao exame, apresentava queimaduras em face e outras características que podem ser vistas na figura. Qual a conduta que deve ser tomada mais precocemente?
Queimadura face/pescoço + ambiente fechado + sinais inalatórios → intubação precoce para prevenir obstrução de via aérea.
Em pacientes com queimaduras de face e pescoço, especialmente se estiveram em ambiente fechado com fumaça, a intubação orotraqueal precoce é a conduta mais importante e urgente. Isso se deve ao risco iminente de edema de via aérea superior, que pode levar à obstrução completa e fatal se não for antecipado. A ventilação com FiO₂ a 100% é crucial para tratar possível intoxicação por monóxido de carbono.
Pacientes vítimas de queimaduras, especialmente aqueles resgatados de ambientes fechados em chamas, apresentam um risco significativo de lesão por inalação. Esta lesão é uma das principais causas de morbidade e mortalidade precoce em queimados, superando até mesmo a extensão da queimadura cutânea. A fumaça contém gases tóxicos e partículas que podem causar inflamação e edema na via aérea superior e inferior, além de intoxicação sistêmica por monóxido de carbono e cianeto. A avaliação da via aérea é a prioridade máxima (A do ABCDE) no atendimento inicial do paciente queimado. Sinais como queimaduras de face e pescoço, pelos nasais queimados, rouquidão, estridor, escarro carbonáceo e história de confinamento em ambiente com fumaça são indicativos de lesão por inalação. Nesses casos, o edema da via aérea superior pode progredir rapidamente, levando à obstrução completa e à asfixia. A conduta mais precoce e vital é a intubação orotraqueal profilática. É preferível intubar o paciente antes que o edema se instale e dificulte ou impossibilite o procedimento. Após a intubação, a ventilação com oxigênio a 100% é essencial para tratar a intoxicação por monóxido de carbono, que tem alta afinidade pela hemoglobina, comprometendo o transporte de oxigênio. A reposição volêmica e o tratamento das queimaduras cutâneas são importantes, mas secundários à garantia de uma via aérea permeável e oxigenação adequada.
Sinais de alerta incluem queimaduras de face e pescoço, pelos nasais queimados, escarro carbonáceo, rouquidão, estridor, história de confinamento em ambiente fechado com fumaça e alteração do nível de consciência.
A intubação precoce é crucial para prevenir a obstrução da via aérea superior devido ao edema progressivo causado pela lesão por inalação. Esperar pode tornar a intubação extremamente difícil ou impossível, com risco de asfixia.
A FiO₂ a 100% é fundamental para deslocar o monóxido de carbono (CO) da hemoglobina, tratando a intoxicação por CO, que é comum em incêndios e pode causar hipóxia tecidual grave.
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