Queimadura Pediátrica: Manejo da Lesão por Inalação

HMMG - Hospital e Maternidade Municipal de Guarulhos (SP) — Prova 2025

Enunciado

Criança de 2 anos de idade chega a emergência com a mãe e dois irmãos 30 minutes após incêndio causado por curto-circuito no ventilador de teto. A criança está prostrada no colo da mãe. Ao exame, observam-se fuligem em face, queimadura de 2º grau superficial e profunda em face e membro superior direito, ocupando aproximadamente 9% da superfície corporal, sonolência, intensa palidez cutâneo-mucosa e discreto esforço respiratório. Ausculta pulmonar com roncos difusos. Quais são a hipótese diagnóstica e a conduta inicial?

Alternativas

  1. A) Queimaduras de vias aéreas abaixo da glote - intubação endotraqueal, acesso periférico para iniciar reposição volêmica, cabeceira elevada e solicitar broncoscopia.
  2. B) Queimaduras de vias aéreas abaixo da glote - cateter de oxigênio, acesso venoso profundo, radiografia de tórax e curativo com sulfadiazina de prata.
  3. C) Queimaduras de vias aéreas acima da glote - cateter de oxigênio, radiografia de tórax, analgésico intramuscular e midazolam intranasal para sedação pré-curativo.
  4. D) Queimaduras de vias aéreas acima da glote - reposição volêmica, antibiótico, cetamina e midazolam IV para sedação pré-desbridamento e curativo com sulfadiazina de prata.

Pérola Clínica

Criança com queimadura facial + fuligem + roncos + esforço respiratório → Lesão por inalação grave = Intubação precoce.

Resumo-Chave

A presença de fuligem na face, roncos difusos e esforço respiratório em uma criança vítima de incêndio são sinais de alerta para lesão por inalação, que pode rapidamente progredir para edema de vias aéreas e obstrução. A intubação endotraqueal precoce é crucial para garantir a patência das vias aéreas antes que o edema se instale e dificulte o procedimento.

Contexto Educacional

A lesão por inalação é uma complicação grave e potencialmente fatal em vítimas de queimaduras, especialmente em crianças, devido às suas vias aéreas menores e maior taxa metabólica. É a principal causa de mortalidade em pacientes queimados, superando a própria extensão da queimadura cutânea. A rápida identificação e manejo são cruciais para a sobrevida. A fisiopatologia envolve a inalação de gases tóxicos, partículas de fuligem e calor, que causam inflamação, edema e dano direto ao epitélio respiratório. Sinais como fuligem facial, queimaduras em face/pescoço, rouquidão, estridor, tosse e esforço respiratório devem levantar forte suspeita. Roncos difusos indicam comprometimento das vias aéreas. A avaliação da patência das vias aéreas é a prioridade máxima. A conduta inicial em casos suspeitos de lesão por inalação grave inclui a intubação endotraqueal precoce para prevenir a obstrução das vias aéreas pelo edema progressivo. Além disso, é fundamental estabelecer acesso venoso para reposição volêmica, elevar a cabeceira e considerar a broncoscopia para avaliar a extensão da lesão. O prognóstico depende da rapidez e adequação do manejo inicial.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para lesão por inalação em crianças queimadas?

Sinais incluem fuligem na face/narinas/boca, queimaduras faciais, rouquidão, estridor, tosse, escarro carbonáceo, esforço respiratório e roncos ou sibilos na ausculta pulmonar.

Por que a intubação endotraqueal precoce é crucial em casos de lesão por inalação?

A intubação precoce é vital porque o edema das vias aéreas superiores pode progredir rapidamente nas primeiras 24 horas, tornando a intubação muito mais difícil ou impossível se for adiada.

Como diferenciar queimaduras de vias aéreas acima e abaixo da glote?

Queimaduras acima da glote são mais comuns e causam edema significativo. As abaixo da glote são mais raras, geralmente por inalação de vapor ou gases tóxicos, e podem levar a broncoespasmo e pneumonite química. A broncoscopia é o método diagnóstico definitivo.

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