HMMG - Hospital e Maternidade Municipal de Guarulhos (SP) — Prova 2025
Criança de 2 anos de idade chega a emergência com a mãe e dois irmãos 30 minutes após incêndio causado por curto-circuito no ventilador de teto. A criança está prostrada no colo da mãe. Ao exame, observam-se fuligem em face, queimadura de 2º grau superficial e profunda em face e membro superior direito, ocupando aproximadamente 9% da superfície corporal, sonolência, intensa palidez cutâneo-mucosa e discreto esforço respiratório. Ausculta pulmonar com roncos difusos. Um dos irmãos do paciente, com 7 anos de idade, está com queimadura superficial de 2º grau na face e no braço direito, ocupando 4% da superfície corporal. Refere dor na área queimada. Clinicamente estável, com ausculta pulmonar normal. Qual a conduta deve ser adotada?
Fuligem em face + roncos + prostração → Suspeita de lesão por inalação. Monitorar e ofertar O2 úmido.
Em crianças expostas a incêndios com sinais de inalação de fumaça, a estabilização clínica e monitorização rigorosa precedem intervenções invasivas se não houver obstrução imediata.
O atendimento inicial à criança queimada segue os preceitos do PALS/ATLS, priorizando a via aérea e a ventilação. A lesão por inalação aumenta significativamente a morbimortalidade e deve ser suspeitada em ambientes fechados. A fisiopatologia envolve lesão térmica direta (vias aéreas superiores) e lesão química por toxinas como monóxido de carbono e cianeto (vias inferiores). O cálculo da superfície corporal queimada em crianças utiliza tabelas específicas (Lund-Browder) ou a palma da mão do paciente (aprox. 1%). O manejo local com sulfadiazina de prata é padrão para membros, mas deve ser evitado em face pelo risco de argiria e irritação ocular.
Sinais de alerta incluem presença de fuligem na face/orofaringe, vibrissas nasais chamuscadas, escarro carbonáceo, rouquidão, estridor, roncos difusos e alterações do nível de consciência (como sonolência ou agitação).
Em áreas nobres como a face, prefere-se o uso de substâncias emolientes como vaselina estéril ou pomadas antibióticas que não causem tatuagem ou irritação excessiva, evitando-se curativos oclusivos pesados que dificultem a avaliação.
A intubação está indicada em casos de obstrução iminente de vias aéreas (estridor, edema grave de orofaringe), insuficiência respiratória hipoxêmica ou hipercápnica, rebaixamento do nível de consciência (GCS < 8) ou queimaduras circulares de tórax que impeçam a ventilação.
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