HIAE/Einstein - Hospital Israelita Albert Einstein (SP) — Prova 2026
Uma mulher de 35 anos foi socorrida pelo resgate após incêndio no seu local de trabalho. A paciente trabalhava em um ambiente pequeno e fechado e foi retirada do local, agitada e confusa, após vinte minutos do início do incêndio. Sinais vitais no local: pressão arterial de 120x70 mmHg, frequência cardíaca de 95 bpm, frequência respiratória de 22 ipm, saturação de O2 de 96% em ar ambiente. Chega ao serviço de emergência em prancha rígida, com colar cervical e máscara de O2 com fluxo de 12 L/min. Queixa-se de dor em face e tórax. Respiração sem ruídos. Queimadura de face e região anterior e superior do tórax não circunferencial, saturação de O2 de 98%. Escala de coma de Glasgow: AO 4 RV 5 RM 6. Diante desse quadro, assinale a alternativa que descreve corretamente alteração(ões) do exame físico que é(são) indício(s) de gravidade e, respectivamente, a conduta prioritária no atendimento.
Estigmas de inalação (vibrissas/fuligem) + ambiente fechado + alteração mental = IOT imediata.
A lesão térmica de vias aéreas superiores evolui com edema obstrutivo rápido. Sinais de inalação em vítimas de incêndio em locais fechados exigem proteção definitiva da via aérea antes da obstrução total.
A lesão por inalação é uma das principais causas de morte em vítimas de queimaduras. Ela se divide em três componentes: lesão térmica das vias aéreas superiores, irritação química das vias aéreas inferiores e toxicidade sistêmica (CO e cianeto). O calor direto raramente atinge as vias aéreas inferiores devido à eficiência da orofaringe em resfriar o ar, mas causa edema maciço acima da glote. O manejo inicial foca na identificação precoce de pacientes com risco de obstrução. A agitação e confusão mental apresentadas pela paciente podem indicar tanto hipóxia quanto intoxicação por CO, reforçando a necessidade de via aérea definitiva. A decisão de intubar deve ser clínica, baseada no mecanismo do trauma e no exame físico, não devendo ser retardada por exames complementares ou estabilidade momentânea da saturação de oxigênio.
Os sinais clássicos incluem queimaduras faciais, chamuscamento de cílios e vibrissas nasais, presença de fuligem na orofaringe ou escarro carbonáceo, rouquidão, estridor laríngeo e história de exposição a incêndio em ambientes fechados. A presença desses sinais sugere que a via aérea superior foi exposta a altas temperaturas, o que desencadeia uma resposta inflamatória intensa e edema progressivo da glote e tecidos supraglóticos, podendo levar à obstrução completa em curto período.
A oximetria de pulso pode ser enganosa em vítimas de incêndio. Primeiro, o edema de via aérea superior causa uma obstrução mecânica que pode não afetar a troca gasosa pulmonar inicialmente. Segundo, em casos de intoxicação por monóxido de carbono (CO), o oxímetro não diferencia a oxi-hemoglobina da carboxi-hemoglobina, fornecendo valores falsamente elevados de saturação. Portanto, uma saturação de 98% não exclui a necessidade de intubação orotraqueal se houver risco de obstrução de via aérea.
A prioridade absoluta é a manutenção da patência da via aérea. Se houver sinais clínicos de inalação (como vibrissas queimadas e fuligem) associados a um mecanismo de trauma sugestivo (ambiente fechado), a intubação orotraqueal (IOT) deve ser realizada de forma precoce e profilática. Tentar tratamentos paliativos como sprays de lidocaína ou apenas observação é perigoso, pois o edema pode progredir rapidamente, transformando uma intubação eletiva em uma via aérea difícil ou impossível.
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