SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2021
Paciente, sexo feminino, 30 anos de idade, vítima de queimadura após explosão de botijão de gás dentro da cozinha, há uma hora, é trazida ao Hospital Geral pelo SAMU. No exame inicial, A: Via aérea pérvia, presença de hiperemia em orofaringe, mantido colar cervical, SatO2: 91% com cateter de O2 15L/min; B: murmúrios vesiculares diminuídos em base à direita, com roncos bilateralmente, FR: 20ipm; C: Bulhas rítmicas e normofonéticas, FC: 88bpm, PA: 112x72mmHg, abdome indolor à palpação, pelve estável e toque retal sem alterações; D: escala de coma de Glasgow=15, pupilas isocóricas e fotorreagentes; E: presença de queimadura de 2º grau profundo em região anterior da cabeça e pescoço, região anterior do tronco e região anterior do membro superior esquerdo; queimadura de 3º grau em região anterior e posterior do membro superior direito.Diante desse caso clínico, determine a primeira conduta terapêutica que deve ser instituída.
Sinais de lesão térmica em orofaringe + SatO2 ↓ → Intubação Orotraqueal imediata.
A presença de hiperemia em orofaringe e queda de saturação em paciente vítima de explosão em ambiente fechado indica alto risco de edema de glote e lesão por inalação, exigindo proteção imediata da via aérea.
O atendimento ao queimado segue a lógica do ATLS (A, B, C, D, E). A prioridade absoluta é a manutenção da via aérea pérvia. Pacientes vítimas de explosões em ambientes fechados frequentemente sofrem lesão térmica direta das vias aéreas superiores e lesão química pulmonar por inalação de produtos de combustão. A hiperemia de orofaringe descrita no caso é um marcador de agressão térmica direta. O edema resultante pode ocluir a glote rapidamente. Portanto, a intubação orotraqueal é a conduta prioritária, precedendo a drenagem de tórax ou a reposição volêmica agressiva, garantindo que o paciente não perca a via aérea durante a fase crítica de ressuscitação.
Os sinais incluem queimaduras de face e pescoço, vibrissas nasais chamuscadas, escarro carbonáceo, rouquidão, estridor laríngeo, hiperemia ou depósitos de fuligem na orofaringe e história de exposição a fumaça em ambientes fechados.
O edema das vias aéreas superiores em pacientes queimados progride rapidamente nas primeiras horas, especialmente após o início da reposição volêmica. A intubação precoce evita a necessidade de uma via aérea cirúrgica de emergência quando a anatomia está distorcida pelo edema tecidual.
Embora a SatO2 seja um parâmetro importante, ela pode ser falsamente normal em casos de intoxicação por monóxido de carbono (CO). No entanto, uma SatO2 de 91% em uso de oxigênio suplementar, associada a sinais físicos de lesão térmica, é um indicativo forte de comprometimento respiratório iminente.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo