Manejo de Via Aérea em Queimaduras por Inalação

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2012

Enunciado

Paciente do sexo feminino, 23 anos de idade, em tratamento clínico para transtorno depressivo, deu entrada na Emergência devido à tentativa de suicídio com fogo, após banhar se com álcool. Queixa-se de "sensação de sufocamento" e dor nas áreas queimadas. Ao exame, apre- senta-se extremamente ansiosa, pouco cooperativa, gemente, com queimaduras de segundo e terceiro graus na face, tronco (anterior e posterior) e membro superior esquerdo, incluindo palma da mão. Taquipneica – 36 irpm, taquicárdica – 130 bpm, P A = 100 x 60 mmHg. Observa-se também queimaduras de cílios e vibrissas nasais. Na ausculta pulmonar, ouve-se discreta sibilância. Demais aspectos do exame físico não acrescentam outros agravantes ao caso. A medida mais urgente a ser adotada com essa paciente é:

Alternativas

  1. A) A hidratação associada à prescrição de antibioticoterapia profilática.
  2. B) A instalação de acesso venoso central.
  3. C) O resfriamento da paciente com água corrente e lençóis molhados.
  4. D) A intubação orotraqueal para garantir permeabilidade das vias aéreas.
  5. E) A monitorização de pressão arterial pulmonar para orientar reposição volêmica.

Pérola Clínica

Vibrissas chamuscadas + sibilância + taquipneia em queimados = Intubação Orotraqueal imediata.

Resumo-Chave

A presença de sinais de inalação de fumaça e calor indica risco iminente de obstrução de via aérea por edema, exigindo proteção definitiva antes que a anatomia seja distorcida.

Contexto Educacional

O manejo do paciente grande queimado segue as prioridades do ABCDE do trauma. A via aérea (A) é a prioridade absoluta, especialmente quando há suspeita de lesão térmica direta ou inalação de fumaça. O calor causa lesão imediata acima da glote, enquanto toxinas químicas podem causar danos alveolares tardios. A paciente descrita apresenta múltiplos preditores de via aérea difícil iminente: queimaduras faciais, vibrissas chamuscadas e sintomas respiratórios (taquipneia e sibilância). A ressuscitação volêmica, embora essencial para tratar o choque hipovolêmico (C), pode exacerbar o edema de vias aéreas. Portanto, a intubação orotraqueal deve preceder ou ocorrer simultaneamente ao início da hidratação vigorosa. O uso de antibióticos profiláticos não é recomendado de rotina em queimados, e o resfriamento com lençóis molhados deve ser feito com cautela para evitar hipotermia sistêmica.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos de lesão por inalação?

Os sinais clássicos incluem queimaduras faciais, vibrissas (pelos do nariz) chamuscadas, escarro carbonáceo, rouquidão, estridor laríngeo, sibilância e história de confinamento em ambiente fechado com fogo. A presença de qualquer um desses sinais deve elevar o índice de suspeita para edema de vias aéreas superiores e lesão química pulmonar.

Por que a intubação deve ser precoce em queimados?

O edema de vias aéreas superiores em pacientes queimados progride rapidamente nas primeiras horas após a lesão, especialmente após o início da ressuscitação volêmica. Se o médico aguardar sinais óbvios de insuficiência respiratória, o edema pode ocluir totalmente a glote e distorcer a anatomia, transformando uma intubação eletiva em uma via aérea difícil ou impossível, exigindo cricotiroidostomia de emergência.

Como a sibilância influencia a conduta neste caso?

A sibilância sugere broncoespasmo ou edema de vias aéreas inferiores decorrente da inalação de subprodutos tóxicos da combustão. Associada à taquipneia e aos achados físicos de queimadura facial, ela confirma o comprometimento respiratório e reforça a necessidade de suporte ventilatório invasivo imediato para garantir a oxigenação e ventilação adequadas.

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