IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025
Homem, de 54 anos de idade, previamente hígido, é levado ao hospital terciário pelos bombeiros após ter sido resgatado de incêndio em estabelecimento comercial há duas horas. Em avaliação inicial, encontra-se conversando com voz rouca, saturação periférica de oxigênio de 94% com máscara de oxigênio em 12 L/min. Expansibilidade torácica simétrica, com uso de musculatura acessória, murmúrios vesiculares presentes com sibilos expiratórios difusos, frequência respiratória de 26 irpm, frequência cardíaca de 102 bpm, pressão arterial de 130x80 mmHg, bulhas rítmicas normofonéticas em dois tempos e sem sopros, abdome flácido e indolor, pelve estável. Escala de coma de Glasgow 15, pupilas isocóricas e fotorreagentes, sem déficits neurológicos focais. Áreas de queimadura em membros superiores e tórax anterior, com acometimento de primeiro e segundo graus, compatível com posição defensiva. Qual é a primeira medida a ser tomada?
Rouquidão + estridor + fuligem + incêndio → Intubação Orotraqueal PRECOCE (risco iminente de edema de glote).
A lesão térmica das vias aéreas superiores progride rapidamente para obstrução total. Sinais de alerta como rouquidão e sibilos indicam necessidade de via aérea definitiva imediata.
A lesão por inalação é uma das principais causas de mortalidade em pacientes queimados. Ela se divide em três componentes: lesão térmica (restrita às vias aéreas superiores), lesão química (vias aéreas inferiores e parênquima) e toxicidade sistêmica (monóxido de carbono e cianeto).\n\nNo cenário de trauma e emergência, a prioridade é o 'A' (Airway). A presença de rouquidão e uso de musculatura acessória em um paciente resgatado de incêndio é um sinal de alerta máximo para obstrução iminente. A conduta correta é a intubação orotraqueal imediata, antes que o edema de tecidos moles distorça a anatomia da laringe. Corticoides e nebulizações não revertem o edema de glote estabelecido e não substituem a necessidade de via aérea definitiva.
Os sinais sugestivos incluem: queimaduras faciais, sobrancelhas ou vibrissas nasais chamuscadas, presença de fuligem na orofaringe ou escarro carbonáceo, rouquidão (disfonia), estridor laríngeo, sibilos e história de confinamento em ambiente fechado durante o incêndio.
O calor direto causa lesão térmica imediata na supraglote, desencadeando um processo inflamatório intenso e edema progressivo. O que parece ser uma via aérea pérvia no momento da admissão pode se tornar uma obstrução total em minutos ou poucas horas, tornando a intubação difícil ou impossível e exigindo cricotiroidostomia de emergência.
Após garantir a via aérea com intubação orotraqueal, deve-se ofertar oxigênio a 100% para acelerar a dissociação da carboxihemoglobina (em caso de suspeita de intoxicação por CO) e monitorar a mecânica pulmonar, já que a lesão química inalatória pode causar broncoespasmo e síndrome de angústia respiratória aguda (SARA).
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