SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026
Homem, 30 anos, foi vítima de um acidente em um incêndio residencial que lhe causou queimaduras no tronco anterior e membros superiores, totalizando 25% de superfície de área queimada. No atendimento inicial, encontra-se consciente, orientado, Glasgow: 15, FC: 115 bpm, PA: 140x68 mmHg, FR: 22 irpm, Sat: 96% com oferta de O2. Apresenta rouquidão e fuligem em orofaringe. Considerando o caso apresentado, assinale a alternativa correta:
Fuligem + rouquidão/estridor → Intubação Orotraqueal Precoce (IOT).
A lesão por inalação causa edema progressivo de glote; a presença de sinais preditivos exige proteção imediata da via aérea antes da obstrução total.
A lesão por inalação é uma das principais causas de mortalidade em vítimas de incêndios em recintos fechados. Ela se divide em lesão térmica (vias aéreas superiores), lesão química (vias inferiores e parênquima) e toxicidade sistêmica (CO e Cianeto). O edema de glote decorrente da agressão térmica é progressivo e atinge seu pico em 12 a 24 horas. O manejo precoce foca na manutenção da patência da via aérea, pois o edema maciço pode distorcer a anatomia, impedindo a intubação convencional e exigindo vias aéreas cirúrgicas de emergência.
Os principais sinais incluem presença de fuligem na orofaringe ou no escarro, queimaduras faciais, perda de pelos nasais (vibrissas), rouquidão, estridor laríngeo e dispneia. A presença desses sinais sugere edema térmico ou químico das vias aéreas superiores, que pode progredir rapidamente para obstrução total, tornando a intubação difícil ou impossível se postergada.
A oximetria de pulso mede a saturação da hemoglobina, mas não diferencia a oxi-hemoglobina da carboxi-hemoglobina (em casos de intoxicação por CO). Além disso, o edema de via aérea superior pode estar progredindo enquanto a troca gasosa pulmonar ainda é eficiente, resultando em uma saturação normal até que ocorra a obstrução mecânica completa.
O estridor é um sinal de obstrução crítica (estreitamento de >85% da luz laríngea). A conduta imediata é a estabilização da via aérea através da intubação orotraqueal. Não se deve tentar nebulização com adrenalina ou broncodilatadores como tratamento definitivo, pois o problema é mecânico/edematoso e não apenas broncoespasmo.
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