LER/DORT no Ombro: Diagnóstico e Fatores Ocupacionais

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem, 30a, relata dor no ombro direito há um ano com piora há seis meses e dificuldade em elevar o braço. História ocupacional: operador industrial, destro, refere que desde 2019 seu trabalho, em turnos de 8 horas, consiste em pegar uma peça de aproximadamente 1,2Kg de uma esteira à sua frente, na altura da cintura, e colocá-la em um torno na altura dos ombros e, depois de 30 segundos, colocar a peça torneada em outra esteira atrás dele. Relata que sua produção individual é de 960 peças por turno. Exame físico: dor à flexão do ombro entre 90 e 130º, teste de Neer positivo.CONSIDERANDO AS LESÕES ASSOCIADAS AO ESFORÇO REPETITIVO, O DIAGNÓSTICO SINDRÔMICO É:

Alternativas

Pérola Clínica

Dor ombro + movimentos repetitivos + Neer positivo → LER/DORT, provável tendinopatia manguito rotador.

Resumo-Chave

O quadro de dor no ombro, dificuldade em elevar o braço, história ocupacional com movimentos repetitivos e sobrecarga (pegar peças de 1,2kg, 960 peças/turno) e teste de Neer positivo são altamente sugestivos de uma lesão por esforço repetitivo (LER) ou distúrbio osteomuscular relacionado ao trabalho (DORT), especificamente uma tendinopatia do manguito rotador ou síndrome do impacto.

Contexto Educacional

As Lesões por Esforços Repetitivos (LER) ou Distúrbios Osteomusculares Relacionados ao Trabalho (DORT) são um grupo de condições que afetam músculos, tendões, nervos e articulações, causadas ou agravadas por atividades laborais repetitivas, posturas inadequadas ou força excessiva. A dor no ombro é uma das manifestações mais comuns, impactando significativamente a qualidade de vida e a capacidade produtiva dos trabalhadores. O diagnóstico sindrômico de LER/DORT no ombro, como a tendinopatia do manguito rotador ou síndrome do impacto, baseia-se na história clínica detalhada, incluindo a análise da atividade ocupacional, e no exame físico. A história de movimentos repetitivos, elevação constante de peso e a presença de dor à flexão do ombro e testes específicos como o de Neer positivo são indicativos. A fisiopatologia envolve microtraumas e inflamação crônica dos tendões e estruturas periarticulares. O manejo de LER/DORT exige uma abordagem multidisciplinar, incluindo repouso relativo, fisioterapia, uso de anti-inflamatórios e, crucialmente, a análise e adaptação ergonômica do posto de trabalho. A prevenção é a melhor estratégia, com pausas regulares, treinamento adequado e melhoria das condições ergonômicas. Para residentes, é fundamental reconhecer a dimensão ocupacional dessas lesões para um tratamento eficaz e prevenção de recorrências, promovendo a saúde do trabalhador.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para LER/DORT no ombro?

Fatores de risco incluem movimentos repetitivos, posturas inadequadas, força excessiva, vibração, falta de pausas, e organização do trabalho inadequada, como a alta demanda de produção e elevação de peso constante.

Como o teste de Neer auxilia no diagnóstico de tendinopatia do manguito rotador?

O teste de Neer é um teste de impacto que provoca dor ao elevar passivamente o braço do paciente, comprimindo o tendão do supraespinhal contra o acrômio, sugerindo inflamação ou lesão do manguito rotador ou bursa subacromial.

Qual a importância da história ocupacional na avaliação de dor no ombro?

A história ocupacional é fundamental para identificar a relação entre o trabalho e a lesão, permitindo o diagnóstico de LER/DORT e a implementação de medidas preventivas e de reabilitação adequadas no ambiente de trabalho, além de orientar o afastamento, se necessário.

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