SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Homem, 20 anos de idade, é admitido no Pronto-Socorro, vítima de queda de moto há 30 minutos.Após o atendimento inicial, o paciente se apresentava estável hemodinamicamente e com umferimento corto contundente na coxa direita, medindo cerca de 30,0cm de comprimento, comexposição da musculatura. Durante a exploração do ferimento, observou-se separação parcial dapele em relação às camadas subjacentes, formando uma cavidade profunda que permite a entradada mão e do punho do examinador através da borda distal da ferida. Quanto às características do ferimento desse paciente, é correto afirmar:
Desluvamento → ruptura de vasos perfurantes → isquemia e alto risco de necrose progressiva.
Lesões com grande descolamento de pele (degloving) interrompem o suprimento sanguíneo proveniente dos vasos perfurantes. Isso gera um alto risco de necrose isquêmica, exigindo frequentemente múltiplas intervenções cirúrgicas para desbridamento e reconstrução.
As lesões por desluvamento representam urgências cirúrgicas no trauma de partes moles. Elas ocorrem frequentemente em acidentes automobilísticos ou atropelamentos, onde forças de cisalhamento separam o tecido superficial das camadas profundas. A gravidade reside no fato de que a pele pode parecer macroscopicamente normal no atendimento inicial, mas a interrupção do fluxo sanguíneo axial e perfurante invariavelmente leva à necrose. O tratamento padrão ouro envolve a exploração cirúrgica cuidadosa, avaliação da viabilidade (muitas vezes com auxílio de testes de sangramento capilar ou fluoresceína) e a remoção de tecidos não viáveis. Em muitos casos, a pele descolada deve ser removida, desengordurada e utilizada como um enxerto de pele total (técnica de Morel-Lavallée quando fechada, ou manejo de ferida aberta) para maximizar as chances de cobertura cutânea definitiva.
A lesão por desluvamento, ou degloving, ocorre quando há um descolamento traumático da pele e do tecido subcutâneo em relação à fáscia muscular subjacente. Isso causa a ruptura dos vasos perfurantes que nutrem o tegumento, levando à isquemia severa da pele descolada, mesmo que ela pareça inicialmente íntegra.
Devido à natureza isquêmica da lesão, a necrose tecidual muitas vezes não é evidente de imediato, manifestando-se ao longo de dias. O manejo exige desbridamentos seriados para remover tecidos desvitalizados, controle de infecções e, posteriormente, procedimentos reconstrutivos como enxertia ou retalhos.
Os vasos perfurantes são as artérias e veias que atravessam a fáscia e o músculo para suprir o plexo subdérmico. No desluvamento, esses vasos são cisalhados. Sem essa conexão, a pele depende apenas de uma circulação colateral precária, o que geralmente é insuficiente para manter a viabilidade tecidual em grandes extensões.
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