HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024
Em um paciente com lesão penetrante na zona II do pescoço e estabilidade hemodinâmica, qual abordagem diagnóstica é mais apropriada?
Lesão penetrante pescoço zona II + estável hemodinamicamente → Laringoscopia direta + Esofagografia com contraste.
Em pacientes com lesão penetrante na zona II do pescoço e estabilidade hemodinâmica, a abordagem diagnóstica deve ser seletiva e direcionada para identificar lesões nas estruturas vitais. A laringoscopia direta e a esofagografia com contraste solúvel em água são essenciais para avaliar a integridade das vias aéreas e do trato digestório superior, respectivamente.
As lesões penetrantes do pescoço representam um desafio significativo no trauma devido à complexidade anatômica da região, que abriga estruturas vitais como vias aéreas, trato digestório superior, vasos sanguíneos importantes e nervos. A classificação em zonas (I, II e III) auxilia na abordagem diagnóstica e terapêutica. A Zona II, que se estende da cartilagem cricoide ao ângulo da mandíbula, é a mais frequentemente acometida e, por ser mais acessível, permite uma avaliação mais detalhada. Em pacientes com lesão penetrante na Zona II do pescoço que estão hemodinamicamente estáveis e não apresentam sinais de lesão vascular grave (como sangramento ativo, hematoma expansivo ou sopro), a abordagem diagnóstica deve ser seletiva. O objetivo é identificar lesões ocultas que podem ter consequências graves se não tratadas. A fisiopatologia envolve o risco de perfuração de órgãos ocos (laringe, faringe, esôfago) ou lesão de estruturas vasculares e nervosas. A conduta mais apropriada para pacientes estáveis com lesão penetrante na Zona II do pescoço inclui a avaliação endoscópica (laringoscopia direta para vias aéreas) e radiológica (esofagografia com contraste solúvel em água para o esôfago). A tomografia computadorizada com contraste pode complementar a avaliação, especialmente para lesões vasculares ou ósseas, mas não substitui a investigação direta das vias aéreas e do esôfago. A exploração cirúrgica imediata é reservada para pacientes instáveis ou com sinais claros de lesão grave.
O pescoço é dividido em três zonas: Zona I (base do pescoço, da clavícula à cartilagem cricoide), Zona II (da cartilagem cricoide ao ângulo da mandíbula) e Zona III (do ângulo da mandíbula à base do crânio). A Zona II é a mais comum para lesões e a mais acessível cirurgicamente.
A laringoscopia direta avalia lesões na laringe e faringe, que podem comprometer a via aérea. A esofagografia com contraste é crucial para detectar lesões esofágicas, que, se não identificadas, podem levar a mediastinite e sepse.
A angiografia é indicada se houver suspeita de lesão vascular significativa (ex: sopro, hematoma expansivo). A TC com contraste pode ser útil para avaliar a extensão da lesão e estruturas ósseas ou tecidos moles, mas não substitui a avaliação direta de via aérea e esôfago em casos específicos.
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