Lesão Penetrante Pescoço Zona II: Diagnóstico em Paciente Estável

HRAC-USP/Centrinho - Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais - Bauru (SP) — Prova 2024

Enunciado

Em um paciente com lesão penetrante na zona II do pescoço e estabilidade hemodinâmica, qual abordagem diagnóstica é mais apropriada?

Alternativas

  1. A) Exploração operatória imediata sem avaliação diagnostica adicional.
  2. B) Avaliação com angiografia para todos os pacientes independentemente dos sinais clínicos.
  3. C) Avaliação com laringoscopia direta e esofagografia com contraste solúvel em agua.
  4. D) Tomografia computadorizada do pescoço com contraste para todos os pacientes.
  5. E) Ultrassonografia Doppler do pescoço como única modalidade de imagem.

Pérola Clínica

Lesão penetrante pescoço zona II + estável hemodinamicamente → Laringoscopia direta + Esofagografia com contraste.

Resumo-Chave

Em pacientes com lesão penetrante na zona II do pescoço e estabilidade hemodinâmica, a abordagem diagnóstica deve ser seletiva e direcionada para identificar lesões nas estruturas vitais. A laringoscopia direta e a esofagografia com contraste solúvel em água são essenciais para avaliar a integridade das vias aéreas e do trato digestório superior, respectivamente.

Contexto Educacional

As lesões penetrantes do pescoço representam um desafio significativo no trauma devido à complexidade anatômica da região, que abriga estruturas vitais como vias aéreas, trato digestório superior, vasos sanguíneos importantes e nervos. A classificação em zonas (I, II e III) auxilia na abordagem diagnóstica e terapêutica. A Zona II, que se estende da cartilagem cricoide ao ângulo da mandíbula, é a mais frequentemente acometida e, por ser mais acessível, permite uma avaliação mais detalhada. Em pacientes com lesão penetrante na Zona II do pescoço que estão hemodinamicamente estáveis e não apresentam sinais de lesão vascular grave (como sangramento ativo, hematoma expansivo ou sopro), a abordagem diagnóstica deve ser seletiva. O objetivo é identificar lesões ocultas que podem ter consequências graves se não tratadas. A fisiopatologia envolve o risco de perfuração de órgãos ocos (laringe, faringe, esôfago) ou lesão de estruturas vasculares e nervosas. A conduta mais apropriada para pacientes estáveis com lesão penetrante na Zona II do pescoço inclui a avaliação endoscópica (laringoscopia direta para vias aéreas) e radiológica (esofagografia com contraste solúvel em água para o esôfago). A tomografia computadorizada com contraste pode complementar a avaliação, especialmente para lesões vasculares ou ósseas, mas não substitui a investigação direta das vias aéreas e do esôfago. A exploração cirúrgica imediata é reservada para pacientes instáveis ou com sinais claros de lesão grave.

Perguntas Frequentes

Quais são as zonas anatômicas do pescoço no trauma?

O pescoço é dividido em três zonas: Zona I (base do pescoço, da clavícula à cartilagem cricoide), Zona II (da cartilagem cricoide ao ângulo da mandíbula) e Zona III (do ângulo da mandíbula à base do crânio). A Zona II é a mais comum para lesões e a mais acessível cirurgicamente.

Por que a laringoscopia direta e esofagografia são importantes na lesão de pescoço?

A laringoscopia direta avalia lesões na laringe e faringe, que podem comprometer a via aérea. A esofagografia com contraste é crucial para detectar lesões esofágicas, que, se não identificadas, podem levar a mediastinite e sepse.

Quando a angiografia ou TC com contraste seriam indicadas?

A angiografia é indicada se houver suspeita de lesão vascular significativa (ex: sopro, hematoma expansivo). A TC com contraste pode ser útil para avaliar a extensão da lesão e estruturas ósseas ou tecidos moles, mas não substitui a avaliação direta de via aérea e esôfago em casos específicos.

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