SEMUSA (SMS) Macaé — Prova 2025
Mulher, 45 anos, submetida a tiroidectomia total para tratamento de carcinoma papilifero de tireoide em estádio 1. A cirurgia transcorreu sem anormalidades, porém no pós-operatório o paciente evoluiu com incapacidade de emitir sons mais agudos. Qual procedimento deveria ter sido adotado para evitar essa complicação?
Lesão do ramo externo do nervo laríngeo superior (NLS) → dificuldade em emitir sons agudos. Prevenção: ligadura individualizada dos vasos do pólo superior da tireoide.
A lesão do ramo externo do nervo laríngeo superior (NELS) é uma complicação da tireoidectomia que afeta a inervação do músculo cricotireoideo, responsável pela tensão das cordas vocais e emissão de sons agudos. A ligadura individualizada dos vasos do pólo superior, próxima à cápsula tireoidiana, minimiza o risco de lesão ao NELS, que cursa adjacente a esses vasos.
A tireoidectomia é um procedimento cirúrgico comum, mas que exige profundo conhecimento anatômico para evitar complicações. A lesão nervosa é uma das mais temidas, com impacto significativo na qualidade de vida do paciente. A compreensão da anatomia do nervo laríngeo superior (NLS) e do nervo laríngeo recorrente (NLR) é fundamental para todos os cirurgiões, especialmente os residentes em formação. A prevenção de lesões nervosas é um pilar da cirurgia segura da tireoide. O nervo laríngeo superior se divide em um ramo interno (sensitivo) e um ramo externo (motor), que inerva o músculo cricotireoideo. Este músculo é essencial para a tensão das cordas vocais e a modulação da altura da voz. O ramo externo do NLS cursa em íntima relação com a artéria tireoidiana superior e seus ramos no pólo superior da tireoide, tornando-o vulnerável durante a ligadura vascular. A identificação e preservação do NLS, embora desafiadora, é crucial para evitar alterações vocais sutis, mas impactantes. A técnica cirúrgica de ligadura individualizada dos vasos do pólo superior, realizada o mais próximo possível da cápsula tireoidiana, é a estratégia mais eficaz para proteger o NLS. A monitorização intraoperatória dos nervos laríngeos pode ser uma ferramenta auxiliar, mas não substitui a técnica cirúrgica cuidadosa e o conhecimento anatômico. O prognóstico da lesão do NLS pode variar, com alguns pacientes apresentando recuperação parcial ou total, enquanto outros podem ter sequelas vocais permanentes, ressaltando a importância da prevenção.
A lesão do nervo laríngeo superior, especificamente seu ramo externo, manifesta-se principalmente como dificuldade em emitir sons agudos, fadiga vocal e perda da projeção da voz. Diferentemente da lesão do nervo laríngeo recorrente, que causa rouquidão e disfonia mais evidentes, a lesão do superior pode ser mais sutil e impactar a qualidade vocal.
A ligadura individualizada dos vasos do pólo superior da tireoide, realizada o mais próximo possível da cápsula glandular, é crucial para preservar o ramo externo do nervo laríngeo superior. Este nervo cursa adjacente à artéria tireoidiana superior e seus ramos, e uma ligadura em massa pode facilmente incluí-lo, causando sua lesão.
A lesão do nervo laríngeo recorrente causa paralisia da corda vocal ipsilateral, resultando em rouquidão, disfonia e, em casos bilaterais, dificuldade respiratória. Já a lesão do nervo laríngeo superior (ramo externo) afeta o músculo cricotireoideo, comprometendo a tensão das cordas vocais e a capacidade de modular a altura da voz, resultando em dificuldade para emitir sons agudos.
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