Rouquidão Pós-Tireoidectomia: Lesão do Nervo Laríngeo

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem de 55 anos, pedreiro, compareceu a consulta com queixa de rouquidão há 6 meses. Refere tabagismo de 60 anos-maço, e ingere 50 ml de bebida alcoólica destilada, diariamente, há 20 anos. Informa que a disfonia se iniciou após ser submetido a cirurgia para remoção de carcinoma de tireoide há 8 meses. Ao exame do pescoço, não apresenta massas cervicais palpáveis e a laringoscopia apresenta imobilidade da prega vocal esquerda em posição paramediana.Qual o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Recidiva do carcinoma de tireoide.
  2. B) Luxação de cartilagem aritenoide.
  3. C) Carcinoma inicial de laringe.
  4. D) Lesão do nervo laríngeo inferior.

Pérola Clínica

Rouquidão pós-tireoidectomia com imobilidade de prega vocal → lesão do nervo laríngeo inferior.

Resumo-Chave

A lesão do nervo laríngeo inferior (recorrente) é a complicação mais comum da tireoidectomia que afeta a voz. A rouquidão e a imobilidade da prega vocal ipsilateral são achados clássicos, e o tempo de início após a cirurgia é um forte indicativo.

Contexto Educacional

A tireoidectomia é um procedimento cirúrgico comum, e uma de suas complicações mais relevantes é a lesão do nervo laríngeo inferior (também conhecido como nervo laríngeo recorrente). Este nervo é responsável pela inervação da maioria dos músculos intrínsecos da laringe, que controlam o movimento das pregas vocais. Devido à sua proximidade anatômica com a glândula tireoide, ele está em risco durante a ressecção cirúrgica, especialmente em casos de tumores malignos ou reoperações. A lesão do nervo laríngeo inferior resulta em paralisia da prega vocal ipsilateral, manifestando-se clinicamente como disfonia ou rouquidão. A gravidade da alteração vocal depende da posição da prega vocal paralisada e da compensação da prega vocal contralateral. Além da rouquidão, o paciente pode apresentar tosse ineficaz, engasgos (disfagia para líquidos) e, em lesões bilaterais, comprometimento grave da via aérea que pode exigir traqueostomia. O diagnóstico é estabelecido pela história clínica, que frequentemente revela o início da disfonia após a cirurgia, e confirmado pela laringoscopia, que demonstra a imobilidade da prega vocal afetada. O tratamento inicial é de suporte, com fonoterapia para otimizar a função vocal residual. Em casos de paralisia persistente (geralmente após 6-12 meses), podem ser consideradas intervenções cirúrgicas para medializar a prega vocal, como a tireoplastia ou a injeção de substâncias na prega vocal, visando melhorar a qualidade da voz e prevenir aspiração.

Perguntas Frequentes

Qual a relação entre a tireoidectomia e a lesão do nervo laríngeo inferior?

O nervo laríngeo inferior (recorrente) tem um trajeto próximo à glândula tireoide, tornando-o vulnerável a lesões durante a cirurgia, seja por secção, estiramento, compressão ou isquemia.

Quais são os sintomas de uma lesão do nervo laríngeo inferior?

O sintoma mais comum é a disfonia (rouquidão), que pode variar de leve a afonia completa. Outros sintomas incluem tosse, engasgos (especialmente com líquidos) e, em casos bilaterais, dificuldade respiratória.

Como é feito o diagnóstico de paralisia de prega vocal?

O diagnóstico é confirmado pela laringoscopia (direta ou indireta), que revela a imobilidade da prega vocal afetada, geralmente em posição paramediana ou lateral.

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