SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2020
Homem, 33 anos. Submetido à hernioplastia inguinal direita com tela pela técnica de Lichtenstein. Retorna para a revisão cirúrgica no 15Odpo, queixando-se de anestesia na região próximo-medial da coxa e raiz do pênis. Ao exame físico, observa-se a ausência do reflexo cremastérico. Qual nervo da região inguinal foi lesado?
Anestesia coxa próximo-medial + raiz pênis + reflexo cremastérico ausente pós-hernioplastia = lesão nervo ílio-inguinal.
A lesão do nervo ílio-inguinal é uma complicação comum da hernioplastia inguinal. Ele é responsável pela sensibilidade da raiz do pênis/lábios maiores, parte superior e medial da coxa, e inerva o músculo cremaster (componente eferente do reflexo cremastérico). A ausência do reflexo cremastérico e a anestesia na distribuição descrita são achados clássicos de sua lesão.
A hernioplastia inguinal é um dos procedimentos cirúrgicos mais comuns, e embora geralmente segura, pode estar associada a complicações, sendo a lesão nervosa uma das mais frequentes e debilitantes. A dor crônica pós-hernioplastia, muitas vezes de origem neuropática, afeta uma parcela significativa dos pacientes e impacta sua qualidade de vida. O conhecimento detalhado da anatomia dos nervos da região inguinal é, portanto, essencial para cirurgiões e residentes. Os nervos ílio-hipogástrico, ílio-inguinal e o ramo genital do nervo genitofemoral são os mais vulneráveis durante a dissecção e reparo da hérnia. O nervo ílio-inguinal emerge do músculo psoas, cruza o músculo quadrado lombar e perfura o músculo transverso do abdome, seguindo um trajeto anterior ao longo do músculo oblíquo interno. Ele acompanha o cordão espermático através do canal inguinal e inerva sensitivamente a raiz do pênis/lábios maiores, a parte superior do escroto/monte de Vênus e a região próximo-medial da coxa. Além disso, ele contribui para a inervação motora do músculo cremaster, sendo responsável pelo componente eferente do reflexo cremastérico. A apresentação clínica descrita na questão, com anestesia na região próximo-medial da coxa e raiz do pênis, juntamente com a ausência do reflexo cremastérico, é altamente indicativa de lesão do nervo ílio-inguinal. A prevenção dessas lesões envolve técnicas cirúrgicas cuidadosas, como a identificação e preservação dos nervos, ou, em alguns casos, a neurectomia profilática em pacientes selecionados. O reconhecimento precoce dos sintomas pós-operatórios permite um manejo adequado, que pode incluir tratamento conservador, bloqueios nervosos ou, em casos refratários, exploração cirúrgica e neurectomia.
Os principais nervos em risco são o ílio-hipogástrico, ílio-inguinal e o ramo genital do nervo genitofemoral. A identificação e preservação desses nervos são cruciais para evitar dor crônica e parestesias pós-operatórias.
O nervo ílio-inguinal é responsável pela sensibilidade da pele da raiz do pênis (ou lábios maiores), parte superior do escroto (ou monte de Vênus) e da região próximo-medial da coxa. Ele também contribui para a inervação motora do músculo cremaster.
Embora ambos possam afetar o reflexo cremastérico, a lesão do ílio-inguinal tipicamente causa anestesia na raiz do pênis/escroto e na região próximo-medial da coxa. A lesão do ramo femoral do genitofemoral causa parestesia na coxa anterior e lateral, enquanto o ramo genital do genitofemoral afeta mais a sensibilidade escrotal/labial e o reflexo cremastérico, mas sem o componente da coxa medial.
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