Paralisia Flácida Aguda: Diagnóstico de Lesão Medular

UFPR/HC - Complexo Hospital de Clínicas da UFPR (PR) — Prova 2020

Enunciado

B. G., 8 anos de idade, é atendido na emergência com quadro de paralisia flácida aguda de membros inferiores. Ao exame, apresenta nível sensitivo comprometido, táctil, térmico e dor (nível T10), transtorno esfincteriano, ausência de reflexos profundos e sinal de Babinski bilateral. Considerando os dados apresentados, assinale a alternativa que apresenta a localização da lesão.

Alternativas

  1. A) Medula.
  2. B) Músculo.
  3. C) Junção mioneural.
  4. D) Nervo periférico.
  5. E) Feixe espinotalâmico no tronco cerebral.

Pérola Clínica

Paralisia flácida aguda + nível sensitivo + Babinski + disfunção esfincteriana → lesão medular.

Resumo-Chave

A combinação de paralisia flácida aguda, nível sensitivo bem definido (T10), transtorno esfincteriano e sinal de Babinski bilateral aponta fortemente para uma lesão medular. A ausência de reflexos profundos pode ocorrer na fase de choque medular, antes do desenvolvimento de hiperreflexia.

Contexto Educacional

A paralisia flácida aguda é uma emergência neurológica que exige rápida investigação para determinar a localização da lesão e iniciar o tratamento adequado. A diferenciação entre lesões do sistema nervoso central (SNC) e periférico é crucial. A medula espinhal é uma estrutura vital do SNC, responsável pela transmissão de informações motoras e sensitivas, além de controlar funções autonômicas. A apresentação clínica de uma lesão medular é caracterizada por uma combinação de déficits. A paralisia pode ser flácida inicialmente devido ao choque medular, mas evolui para espasticidade. A presença de um nível sensitivo bem definido, como T10 neste caso, é um forte indicativo de lesão medular, pois as vias sensitivas ascendem de forma organizada. O transtorno esfincteriano (retenção ou incontinência urinária/fecal) é um sinal clássico de disfunção medular, especialmente em lesões torácicas ou sacrais. O sinal de Babinski bilateral é um achado patológico que indica lesão do trato corticoespinhal (via piramidal), um componente do neurônio motor superior, que cursa pela medula. A ausência de reflexos profundos na fase aguda é compatível com o choque medular. A junção desses sinais (paralisia, nível sensitivo, disfunção esfincteriana, Babinski) aponta inequivocamente para uma lesão na medula espinhal, diferenciando-a de lesões de nervo periférico (que não teriam nível sensitivo ou Babinski) ou junção mioneural (que não teriam nível sensitivo ou Babinski).

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos que indicam uma lesão medular?

Sinais incluem fraqueza ou paralisia (flácida ou espástica), nível sensitivo definido, alterações de reflexos (hipo ou hiperreflexia), e disfunção autonômica como transtorno esfincteriano.

O que é o sinal de Babinski e qual sua importância na lesão medular?

O sinal de Babinski é a extensão dorsal do hálux com abdução dos outros dedos ao estimular a planta do pé. Sua presença bilateral indica lesão do trato corticoespinhal (via piramidal), que passa pela medula, sendo um sinal de lesão de neurônio motor superior.

Por que a paralisia pode ser flácida em uma lesão medular aguda?

Na fase aguda de uma lesão medular, pode ocorrer o 'choque medular', caracterizado por flacidez, arreflexia e perda de tônus abaixo do nível da lesão, devido à interrupção súbita das vias descendentes. Com o tempo, a espasticidade e hiperreflexia geralmente se desenvolvem.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo