Santa Casa de Limeira (SP) — Prova 2022
Paciente de 23 anos, sexo masculino, chega ao pronto- -atendimento com história de vômitos com sangue após esforço excessivo para vomitar e vômitos vigorosos (sangue surgiu após o terceiro episódio de vômito). Relata ingesta de grande quantidade de destilados. Nega evacuações com sangue, perda de peso ou uso contínuo de qualquer medicação. Ao exame, apresenta-se com hálito etílico, contactante, porém pouco confuso, PA: 110 x 80 mmHg, FC: 86 bpm, FR: 19 mpm, Saturação oxigênio: 96%. Ausculta cardíaca e pulmonar normais. Abdômen flácido, plano, indolor a palpação e sem descompressão brusca dolorosa. Toque retal com fezes normais. A principal hipótese diagnóstica e o exame a ser solicitado são:
Hematêmese após vômitos vigorosos (especialmente em etilistas) → Lesão de Mallory-Weiss = EDA.
A lesão de Mallory-Weiss é uma laceração longitudinal da mucosa da cárdia ou esôfago distal, tipicamente causada por vômitos vigorosos ou esforço de vômito, comum em pacientes com história de etilismo. A hematêmese é o sintoma principal, e a endoscopia digestiva alta é o exame padrão-ouro para o diagnóstico e, muitas vezes, para o tratamento.
A lesão de Mallory-Weiss é uma causa comum de hemorragia digestiva alta, caracterizada por uma laceração longitudinal na mucosa da junção gastroesofágica ou esôfago distal. Sua fisiopatologia está ligada ao aumento súbito da pressão intra-abdominal e intragástrica, resultando em vômitos vigorosos ou esforço para vomitar. Pacientes etilistas são particularmente suscetíveis devido à frequência e intensidade dos vômitos associados à intoxicação alcoólica. O quadro clínico típico envolve um episódio de hematêmese que se segue a vômitos não sanguinolentos, o que é um dado anamnéstico crucial. O sangramento geralmente é autolimitado, mas pode ser significativo. O diagnóstico é confirmado por endoscopia digestiva alta (EDA), que permite visualizar a laceração e excluir outras causas de sangramento. A EDA também é fundamental para avaliar a necessidade de intervenção terapêutica, como hemostasia endoscópica, caso o sangramento persista. O manejo inicial foca na estabilização hemodinâmica do paciente, se necessário, com reposição volêmica. A maioria dos casos de lesão de Mallory-Weiss resolve-se espontaneamente. No entanto, a EDA é essencial para confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade do sangramento e realizar tratamento endoscópico quando indicado. É importante diferenciar de outras causas de hemorragia digestiva alta, como varizes esofágicas, que exigem manejo distinto e podem ser mais graves.
O sintoma mais característico é a hematêmese (vômito com sangue) que ocorre após um ou mais episódios de vômitos não sanguinolentos, geralmente vigorosos ou de esforço. Dor epigástrica ou torácica também pode estar presente. A história de etilismo ou outras condições que causam vômitos frequentes é um fator de risco importante.
A EDA é o exame padrão-ouro para o diagnóstico, permitindo a visualização direta da laceração na mucosa da cárdia ou esôfago distal. Além do diagnóstico, a EDA pode ser terapêutica, possibilitando a hemostasia através de métodos como injeção de epinefrina, clipagem ou coagulação, caso o sangramento seja ativo.
Em pacientes etilistas, o diagnóstico diferencial da hematêmese inclui, além da lesão de Mallory-Weiss, varizes esofágicas (devido à hipertensão portal), gastrite hemorrágica, úlcera péptica e, menos comumente, esofagite. A história clínica detalhada e a EDA são cruciais para diferenciar essas condições.
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