NIC 1 e JEC Não Visível: Conduta em Lesões Cervicais

HEDA - Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (PI) — Prova 2019

Enunciado

Paciente de 35 anos foi encaminhada para colposcopia por ter apresentado lesão de alto grau em seu exame citológico. A colposcopia identificou zona de transformação indicativa de alterações maiores, adentrando o canal, com junção escamo-colunar não visível. O exame histológico do material obtido por biópsia dirigida, na periferia da lesão, mostrou NIC 1. Neste caso, a conduta adequada é:

Alternativas

  1. A) detecção e genotipagem do HPV.
  2. B) conização por cirurgia de alta frequência. 
  3. C) acompanhamento citológico.
  4. D) vacinação contra o HPV.
  5. E) acalmar a paciente e retorno em 1 ano.

Pérola Clínica

Citologia de alto grau + JEC não visível + biópsia NIC 1 → conização para excluir lesão de alto grau oculta.

Resumo-Chave

Apesar da biópsia periférica mostrar NIC 1, a citologia de alto grau e a junção escamo-colunar (JEC) não visível na colposcopia indicam que uma lesão de alto grau pode estar oculta no canal endocervical. Nesses casos, a conização por cirurgia de alta frequência (CAF) é a conduta adequada para diagnóstico e tratamento.

Contexto Educacional

O rastreamento do câncer de colo uterino é fundamental para a detecção precoce de lesões pré-malignas, as lesões intraepiteliais cervicais (NIC). A citologia (Papanicolau) é o método de rastreamento, e resultados anormais levam à colposcopia. A colposcopia permite a visualização do colo uterino e a biópsia de áreas suspeitas. A junção escamo-colunar (JEC) é a área de transição onde a maioria das lesões se desenvolve, e sua visibilidade é crucial para uma avaliação completa. Neste caso, a paciente apresenta uma situação complexa: citologia de alto grau (sugestiva de NIC 2/3 ou câncer), colposcopia com JEC não visível (indicando que a lesão pode se estender para o canal endocervical e não ser totalmente visível) e biópsia periférica mostrando NIC 1 (lesão de baixo grau). Essa discrepância cito-histológica, somada à JEC não visível, levanta a forte suspeita de que a biópsia não representou a lesão mais grave ou que uma lesão de alto grau está oculta no canal. A conduta adequada, portanto, não é o acompanhamento, mas sim a conização por cirurgia de alta frequência (CAF). A CAF permite a remoção de um cone de tecido do colo uterino, incluindo a JEC e parte do canal endocervical, para uma avaliação histopatológica completa. Isso serve tanto como método diagnóstico definitivo para excluir uma lesão de alto grau ou câncer invasivo oculto, quanto como tratamento para a lesão existente. A vacinação contra HPV é uma medida preventiva e não terapêutica para lesões já estabelecidas.

Perguntas Frequentes

O que significa uma junção escamo-colunar (JEC) não visível na colposcopia?

Uma JEC não visível significa que a zona de transformação, onde a maioria das lesões cervicais se origina, se estende para dentro do canal endocervical, impossibilitando a visualização completa da lesão e aumentando o risco de uma lesão de alto grau oculta.

Quando a conização por cirurgia de alta frequência (CAF) é indicada?

A CAF é indicada em casos de lesões cervicais de alto grau (NIC 2/3), JEC não visível com citologia anormal, discrepância cito-histológica significativa, ou quando há suspeita de microinvasão, servindo tanto como método diagnóstico quanto terapêutico.

Qual a importância da discrepância cito-histológica no manejo das lesões cervicais?

A discrepância cito-histológica, como uma citologia de alto grau com biópsia de baixo grau (NIC 1), é um alerta. Nesses casos, a biópsia pode ter subestimado a lesão real, especialmente se a JEC não for visível, exigindo uma investigação mais aprofundada, como a conização.

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