AMRIGS - Associação Médica do Rio Grande do Sul — Prova 2020
Paciente de 28 anos, traz à consulta seu citopatológico (CP) de rotina, coletado há 1 mês na unidade básica de saúde (UBS), com o seguinte resultado: Lesão Intraepitelial de Baixo Grau (LIEBG, LSIL). Refere que há 15 dias começou com secreção vaginal aumentada com odor fétido. Qual a melhor conduta segundo as Diretrizes Brasileiras para o rastreamento do câncer do colo do útero (INCA)?
LIEBG + infecção vaginal → Tratar infecção, repetir CP em 6 meses. Colposcopia NÃO é imediata.
As diretrizes brasileiras (INCA) para rastreamento do câncer do colo do útero recomendam que, na presença de uma Lesão Intraepitelial de Baixo Grau (LIEBG) e concomitante processo infeccioso, a infecção seja tratada primeiramente. Após o tratamento, o citopatológico deve ser repetido em 6 meses, e não imediatamente encaminhado para colposcopia.
A Lesão Intraepitelial de Baixo Grau (LIEBG), ou LSIL (Low-grade Squamous Intraepithelial Lesion), é uma alteração citopatológica comum no rastreamento do câncer do colo do útero, geralmente associada à infecção pelo Papilomavírus Humano (HPV). As Diretrizes Brasileiras para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero, publicadas pelo Instituto Nacional de Câncer (INCA), fornecem um guia claro para a conduta frente a esses resultados, visando a detecção precoce e o manejo adequado das lesões precursoras. Quando um citopatológico revela LIEBG e a paciente apresenta sintomas de infecção vaginal, a prioridade é tratar a infecção. Isso se deve ao fato de que processos inflamatórios e infecciosos podem gerar alterações celulares reativas que podem ser confundidas com lesões ou dificultar a interpretação precisa do esfregaço. Após o tratamento da infecção, a recomendação é repetir o citopatológico em 6 meses. Essa abordagem permite que o epitélio cervical se recupere e oferece uma nova oportunidade para avaliar a persistência ou regressão da lesão. É crucial que os profissionais de saúde sigam essas diretrizes para evitar condutas desnecessárias, como o encaminhamento imediato para colposcopia em casos de LIEBG com infecção, o que pode gerar ansiedade desnecessária para a paciente e sobrecarregar os serviços de referência. A colposcopia é reservada para casos de persistência da LIEBG, lesões de alto grau ou resultados citopatológicos mais preocupantes, garantindo um manejo escalonado e custo-efetivo.
A conduta inicial para LIEBG, segundo as diretrizes do INCA, depende da idade da paciente e da presença de fatores complicadores. Em mulheres jovens, a repetição do citopatológico em 6 meses é frequentemente indicada. Se houver infecção, esta deve ser tratada primeiro.
O tratamento da infecção vaginal é importante porque processos inflamatórios e infecciosos podem causar alterações celulares reativas que dificultam a interpretação do citopatológico ou mascaram a verdadeira extensão da lesão. Tratar a infecção permite uma avaliação mais precisa na repetição do exame.
A colposcopia é indicada se o LIEBG persistir após dois resultados consecutivos em 6 meses, ou se houver um resultado de ASC-H (células escamosas atípicas de significado indeterminado, não se pode excluir lesão de alto grau) ou HSIL (lesão intraepitelial de alto grau) em qualquer momento. Não é a conduta imediata para um primeiro LIEBG com infecção.
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