SES-GO - Secretaria de Estado de Saúde de Goiás — Prova 2015
Mulher de 32 anos, GIII, PIII, A0, três cesarianas, laqueada há cinco anos, chega trazendo resultado de colpocitologia que mostra lesão intraepitelial de alto grau, não podendo excluir microinvasão ou carcinoma epiodermóide invasor e, ainda, resultado de uma colposcopia que se mostrou insatisfatória porque não visualizou a junção escamocolunar. Diante desse quadro, a conduta é:
HSIL + colposcopia insatisfatória (JEC não visível) + suspeita de invasão → Conização para diagnóstico e tratamento.
Diante de uma colpocitologia com lesão intraepitelial de alto grau (HSIL) que não exclui microinvasão ou carcinoma invasor, e uma colposcopia insatisfatória (junção escamocolunar não visualizada), a conização é a conduta padrão. Este procedimento permite a avaliação histopatológica completa da lesão e a exclusão de invasão, sendo tanto diagnóstico quanto terapêutico.
O manejo de lesões intraepiteliais de alto grau (HSIL) no colo uterino é um pilar fundamental da ginecologia e da saúde da mulher, com grande relevância em exames de residência. Quando uma colpocitologia revela HSIL e a colposcopia subsequente é insatisfatória – ou seja, a junção escamocolunar (JEC) não é totalmente visível – a conduta exige uma abordagem mais invasiva para garantir o diagnóstico e tratamento adequados. A JEC é a área de maior risco para o desenvolvimento de neoplasias cervicais, e sua não visualização impede a exclusão de lesões mais extensas ou invasivas localizadas no canal endocervical. Nesse cenário, a conização do colo uterino é o procedimento de escolha. A conização, que pode ser realizada por bisturi a frio (cold knife conization) ou por alça de alta frequência (LEEP/LLETZ), consiste na remoção de um fragmento cônico do colo que inclui a JEC e a área da lesão. Este procedimento tem dupla finalidade: diagnóstica, ao permitir a análise histopatológica completa para confirmar a extensão da lesão e excluir microinvasão ou carcinoma invasor; e terapêutica, ao remover a lesão. A decisão pela conização é ainda mais reforçada quando há suspeita de microinvasão ou carcinoma epidermóide invasor na citologia. É vital para o residente compreender que a histerectomia total ou ampliada seria uma conduta excessiva sem a confirmação histopatológica da extensão da doença. A curetagem do canal endocervical, embora útil para amostragem, não oferece a mesma capacidade diagnóstica e terapêutica da conização em casos de HSIL com colposcopia insatisfatória e suspeita de invasão. O acompanhamento pós-conização é igualmente importante para monitorar a recorrência da lesão e garantir a saúde cervical a longo prazo.
Uma colposcopia é considerada insatisfatória quando a junção escamocolunar (JEC) não é totalmente visualizada. Isso impede a avaliação completa da zona de transformação, onde a maioria das lesões cervicais se origina, e levanta a preocupação de que uma lesão possa estar localizada mais acima no canal endocervical.
A conização é indicada porque permite a remoção de um cone de tecido do colo uterino, incluindo a JEC e a lesão, para análise histopatológica. Isso é crucial para confirmar o diagnóstico, determinar a extensão da lesão, excluir microinvasão ou carcinoma invasor e, ao mesmo tempo, tratar a lesão.
Os benefícios incluem o diagnóstico preciso e o tratamento da lesão. Os riscos potenciais são sangramento, infecção, estenose cervical e, em gestações futuras, um risco ligeiramente aumentado de parto prematuro ou insuficiência istmocervical, embora a maioria das mulheres não apresente complicações significativas.
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