Lesão de Alto Grau no Colo Uterino: Diagnóstico e Conduta

UESPI - Universidade Estadual do Piauí — Prova 2020

Enunciado

Paciente de 48 anos, G5P5(N)A0, encaminhada ao seu consultório com citologia oncótica compatível com lesão de alto grau. Qual a etapa seguinte na propedêutica desta paciente e qual o tratamento mais adequado, caso o diagnóstico se confirme?

Alternativas

  1. A) Realizar conização de colo uterino com finalidade diagnóstica e terapêutica
  2. B) Repetir a citologia oncótica, após 2 meses do tratamento medicamentoso das infecções concomitantes
  3. C) Proceder à colposcopia com biópsia dirigida de colo uterino, caso haja achado anormal. Confirmado o diagnóstico pela biópsia, proceder à conização de colo uterino.
  4. D) Proceder à colposcopia com biópsia dirigida de colo uterino, caso haja achado anormal. Confirmado o diagnóstico pela biópsia, proceder à histerectomia total.
  5. E) Realizar exérese da zona de transformação com corrente de alta frequência.

Pérola Clínica

Citologia de alto grau (HSIL) → Colposcopia com biópsia dirigida. Confirmado NIC 2/3 → Conização.

Resumo-Chave

Uma citologia oncótica compatível com lesão de alto grau (HSIL/NIC 2/3) exige uma investigação mais aprofundada com colposcopia e biópsia dirigida. Somente após a confirmação histopatológica da lesão é que se procede ao tratamento, que geralmente é a conização do colo uterino.

Contexto Educacional

A lesão intraepitelial de alto grau (HSIL), também conhecida como Neoplasia Intraepitelial Cervical grau 2 ou 3 (NIC 2/3), é uma condição pré-maligna do colo uterino que, se não tratada, pode progredir para câncer invasivo. A citologia oncótica (Papanicolau) é a principal ferramenta de rastreamento, e um resultado compatível com HSIL exige uma investigação aprofundada para confirmar o diagnóstico e planejar o tratamento adequado. A etapa seguinte na propedêutica é a colposcopia, um exame que permite a visualização magnificada do colo uterino, vagina e vulva. Durante a colposcopia, são aplicadas soluções como ácido acético e lugol para identificar áreas com alterações suspeitas. Caso haja achados anormais, é realizada uma biópsia dirigida dessas áreas, que é o padrão-ouro para o diagnóstico histopatológico definitivo da lesão. A biópsia é crucial para diferenciar HSIL de lesões de baixo grau ou câncer invasivo. Confirmado o diagnóstico de NIC 2/3 pela biópsia, o tratamento mais adequado é a conização do colo uterino. Este procedimento remove uma porção cônica do colo, que inclui a zona de transformação, onde a maioria das lesões se origina. A conização tem finalidade tanto diagnóstica (avaliar as margens e excluir invasão) quanto terapêutica. A histerectomia total é reservada para casos específicos, como lesões invasivas ou quando a conização não é viável ou suficiente.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre citologia e biópsia no diagnóstico de lesões cervicais?

A citologia (Papanicolau) é um método de rastreamento que identifica células anormais. A biópsia, realizada sob colposcopia, é um método diagnóstico definitivo que analisa o tecido para confirmar a presença e o grau da lesão.

Quando a conização do colo uterino é indicada?

A conização é indicada para o tratamento de lesões intraepiteliais de alto grau (NIC 2/3 ou HSIL) confirmadas por biópsia, especialmente quando há discordância colpo-histológica, lesão extensa ou suspeita de invasão.

Quais são os principais fatores de risco para lesões de alto grau no colo uterino?

O principal fator de risco é a infecção persistente pelo Papilomavírus Humano (HPV) de alto risco. Outros fatores incluem tabagismo, imunossupressão, múltiplos parceiros sexuais e início precoce da atividade sexual.

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