HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2020
Paciente, com histórico de infecção pelo papilomavírus humano, realiza colpocitologia com resultado de lesão de alto grau, confirmada pela colposcopia com biópsia. Paciente com prole constituída e 48 anos de idade. Qual a melhor conduta?
HSIL/NIC 2/3 confirmada por biópsia → Conização é o tratamento padrão para lesões de alto grau.
Diante de uma lesão intraepitelial de alto grau (HSIL ou NIC 2/3) confirmada por biópsia, a conização do colo uterino é o tratamento de escolha. Este procedimento visa remover a zona de transformação onde a lesão se localiza, sendo curativo na maioria dos casos e preservando o útero.
As lesões intraepiteliais de alto grau (HSIL, ou NIC 2/3) representam um estágio avançado de alterações celulares no colo uterino causadas pelo Papilomavírus Humano (HPV), com um risco significativo de progressão para câncer cervical invasivo se não tratadas. A detecção precoce através da colpocitologia (Papanicolau) e a confirmação diagnóstica por colposcopia com biópsia são cruciais para o manejo adequado. A epidemiologia mostra que o HPV é a causa principal, e a persistência da infecção, juntamente com fatores de risco como tabagismo e imunossupressão, aumenta a chance de desenvolvimento dessas lesões. Uma vez que a lesão de alto grau é confirmada histologicamente, a conduta padrão é o tratamento excisional. A conização do colo uterino, seja por alça diatérmica (CAF) ou a frio (cirurgia a laser ou bisturi), é o procedimento de escolha. Ele permite a remoção da zona de transformação e da lesão, com a vantagem de fornecer um espécime para análise histopatológica completa, confirmando a extensão da lesão e a presença de margens livres. A idade da paciente (48 anos) e a prole constituída reforçam a indicação de um tratamento definitivo, embora a preservação do útero ainda seja prioritária, se possível. Outras opções, como a histerectomia, são consideradas em situações específicas, como falha do tratamento excisional, lesões recorrentes ou quando há outras indicações ginecológicas. Tratamentos ablativos como a cauterização não são recomendados para lesões de alto grau, pois não permitem a análise histopatológica do tecido removido e podem mascarar um câncer invasivo. O acompanhamento pós-tratamento com colpocitologia e colposcopia é fundamental para monitorar a recorrência e garantir a cura.
Uma lesão de alto grau indica alterações celulares significativas no epitélio cervical, com potencial elevado de progressão para câncer invasivo se não tratada. Corresponde à Neoplasia Intraepitelial Cervical graus 2 ou 3 (NIC 2/3).
A conização remove cirurgicamente a área afetada do colo uterino, incluindo a zona de transformação, onde a maioria das lesões se desenvolve. É um procedimento diagnóstico e terapêutico que visa a excisão completa da lesão, com altas taxas de cura.
A histerectomia é reservada para casos selecionados, como lesões de alto grau recorrentes após conização, margens comprometidas persistentes, ou quando há outras indicações ginecológicas para a cirurgia (ex: miomatose uterina volumosa), especialmente em pacientes com prole constituída e sem desejo de gestações futuras.
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