HSIL/NIC 2/3: Conização como Tratamento Padrão

HMASP - Hospital Militar de Área de São Paulo — Prova 2020

Enunciado

Paciente, com histórico de infecção pelo papilomavírus humano, realiza colpocitologia com resultado de lesão de alto grau, confirmada pela colposcopia com biópsia. Paciente com prole constituída e 48 anos de idade. Qual a melhor conduta?

Alternativas

  1. A) Conização de colo uterino.
  2. B) Histerectomia total abdominal com anexectomia bilateral.
  3. C) Cauterização do colo uterino.
  4. D) Tratamento clínico com imunomoduladores.
  5. E) Repetir colpocitologia em 3 meses.

Pérola Clínica

HSIL/NIC 2/3 confirmada por biópsia → Conização é o tratamento padrão para lesões de alto grau.

Resumo-Chave

Diante de uma lesão intraepitelial de alto grau (HSIL ou NIC 2/3) confirmada por biópsia, a conização do colo uterino é o tratamento de escolha. Este procedimento visa remover a zona de transformação onde a lesão se localiza, sendo curativo na maioria dos casos e preservando o útero.

Contexto Educacional

As lesões intraepiteliais de alto grau (HSIL, ou NIC 2/3) representam um estágio avançado de alterações celulares no colo uterino causadas pelo Papilomavírus Humano (HPV), com um risco significativo de progressão para câncer cervical invasivo se não tratadas. A detecção precoce através da colpocitologia (Papanicolau) e a confirmação diagnóstica por colposcopia com biópsia são cruciais para o manejo adequado. A epidemiologia mostra que o HPV é a causa principal, e a persistência da infecção, juntamente com fatores de risco como tabagismo e imunossupressão, aumenta a chance de desenvolvimento dessas lesões. Uma vez que a lesão de alto grau é confirmada histologicamente, a conduta padrão é o tratamento excisional. A conização do colo uterino, seja por alça diatérmica (CAF) ou a frio (cirurgia a laser ou bisturi), é o procedimento de escolha. Ele permite a remoção da zona de transformação e da lesão, com a vantagem de fornecer um espécime para análise histopatológica completa, confirmando a extensão da lesão e a presença de margens livres. A idade da paciente (48 anos) e a prole constituída reforçam a indicação de um tratamento definitivo, embora a preservação do útero ainda seja prioritária, se possível. Outras opções, como a histerectomia, são consideradas em situações específicas, como falha do tratamento excisional, lesões recorrentes ou quando há outras indicações ginecológicas. Tratamentos ablativos como a cauterização não são recomendados para lesões de alto grau, pois não permitem a análise histopatológica do tecido removido e podem mascarar um câncer invasivo. O acompanhamento pós-tratamento com colpocitologia e colposcopia é fundamental para monitorar a recorrência e garantir a cura.

Perguntas Frequentes

O que significa uma lesão de alto grau (HSIL/NIC 2/3) no colo uterino?

Uma lesão de alto grau indica alterações celulares significativas no epitélio cervical, com potencial elevado de progressão para câncer invasivo se não tratada. Corresponde à Neoplasia Intraepitelial Cervical graus 2 ou 3 (NIC 2/3).

Por que a conização é o tratamento de escolha para HSIL/NIC 2/3?

A conização remove cirurgicamente a área afetada do colo uterino, incluindo a zona de transformação, onde a maioria das lesões se desenvolve. É um procedimento diagnóstico e terapêutico que visa a excisão completa da lesão, com altas taxas de cura.

Quando a histerectomia seria considerada para uma lesão de alto grau?

A histerectomia é reservada para casos selecionados, como lesões de alto grau recorrentes após conização, margens comprometidas persistentes, ou quando há outras indicações ginecológicas para a cirurgia (ex: miomatose uterina volumosa), especialmente em pacientes com prole constituída e sem desejo de gestações futuras.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo