Manejo de LIEAG e NIC II em Gestantes: Conduta Atual

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2026

Enunciado

Gestante, 32 anos, secundigesta, último parto (que foi cesárea) há 3 anos, agora encontra-se na 22ª semana gestacional, sem maiores intercorrências até que chegou o resultado de colpocitologia oncológica colhida no início do pré-natal com o resultado ASC-H. Foi submetida à colposcopia e biópsia de colo uterino na 18ª semana e o resultado do anatomopatológico revelou LIEAG (NIC II). A pesquisa de HPV por biologia molecular (PCR) revelou presença de alguns tipos de HPV de alto e de baixo risco oncogênico. A indicação CORRETA é:

Alternativas

  1. A) Procedimento excisional, ou seja, excisão da zona de transformação.
  2. B) Procedimento excisional, ou seja, conização cervical uterina.
  3. C) Reavaliação com 12 semanas após o parto, repetindo a colpocitologia e a colposcopia.
  4. D) Uso de 5-fluorouracil ou imiquimode no colo uterino, pois ambos podem ser utilizados na gestação.

Pérola Clínica

LIEAG/NIC II na gestação → Reavaliação 12 semanas pós-parto (exceto se suspeita de invasão).

Resumo-Chave

Na gestação, o objetivo é excluir câncer invasor. Lesões pré-cancerosas (NIC II/III) são acompanhadas e reavaliadas após o parto devido à progressão lenta e riscos obstétricos de procedimentos excisionais.

Contexto Educacional

O rastreamento citopatológico na gestação segue as mesmas diretrizes de mulheres não grávidas. Contudo, o manejo de resultados anormais como ASC-H ou LIEAG foca estritamente na exclusão de malignidade invasiva. Procedimentos diagnósticos como a colposcopia são seguros, mas a biópsia deve ser criteriosa e realizada apenas por colposcopistas experientes quando a suspeita de invasão é alta. O tratamento definitivo de lesões precursoras (NIC II e III) é sistematicamente postergado para o período puerperal, idealmente 12 semanas após o parto. Isso ocorre porque a zona de transformação costuma estar mais visível no pós-parto e os riscos de complicações obstétricas, como rotura prematura de membranas e hemorragias graves decorrentes de procedimentos excisionais no colo gravídico, superam os riscos de progressão da doença.

Perguntas Frequentes

Quando realizar biópsia de colo na gestante?

A biópsia de colo uterino durante a gestação deve ser realizada apenas quando houver suspeita clínica ou colposcópica de carcinoma invasor. O objetivo principal da colposcopia na grávida é descartar a invasão, não graduar lesões pré-neoplásicas, devido ao risco aumentado de sangramento e complicações gestacionais.

Qual o risco de progressão da NIC II na gravidez?

O risco de progressão de uma lesão de alto grau (NIC II ou III) para carcinoma invasor durante o curto período da gestação é extremamente baixo. Além disso, existe uma taxa considerável de regressão espontânea dessas lesões no período pós-parto, o que justifica a conduta conservadora de acompanhamento.

Pode-se realizar conização na gestação?

A conização (procedimento excisional) é contraindicada na gestação para tratamento de lesões precursoras. Ela é reservada apenas para casos excepcionais onde há forte suspeita de câncer invasor que não pôde ser confirmado por biópsia simples, visando o diagnóstico definitivo, dado o alto risco de hemorragia e parto prematuro.

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