LIEAG e Colposcopia Insatisfatória: Conduta Correta

PUC Sorocaba - Pontifícia Universidade Católica de Sorocaba (SP) — Prova 2021

Enunciado

Marcia tem 28 anos, menarca aos 11 anos, coitarca aos 17 anos, nuligesta, usa contraceptivo hormonal oral composto por etinilestradiol 35mcg e ciproterona 2mg, realizou pela primeira vez a colpocitologia oncótica, cujo resultado foi compatível com lesão intraepitelial de alto grau (LIEAG), não podendo excluir microinvasão. Foi encaminhada para colposcopia, que foi considerada insatisfatória, pois não permitiu caracterizar os limites da junção escamo-celular, e o resultado da biópsia revelou LIEAG. Assinale a conduta CORRETA para esta paciente:

Alternativas

  1. A) cauterização com eletrocautério.
  2. B) controle pela colpocitologia em seis meses.
  3. C) colposcopia novamente após sessões de uso de estrogênio tópico.
  4. D) excisão da zona de transformação.

Pérola Clínica

LIEAG + Colposcopia insatisfatória + Biópsia LIEAG → excisão da zona de transformação.

Resumo-Chave

Em pacientes com lesão intraepitelial de alto grau (LIEAG) na citologia e biópsia, se a colposcopia for insatisfatória (não visualiza a junção escamo-colunar), a conduta correta é a excisão da zona de transformação para garantir a remoção completa da lesão e excluir microinvasão.

Contexto Educacional

A lesão intraepitelial de alto grau (LIEAG) é uma condição pré-cancerosa do colo uterino que, se não tratada, pode progredir para câncer invasivo. O rastreamento através da colpocitologia oncótica (Papanicolau) é fundamental para sua detecção precoce. Uma vez detectada, a colposcopia com biópsia dirigida é o próximo passo para confirmar o diagnóstico e avaliar a extensão da lesão. No entanto, a colposcopia pode ser insatisfatória, especialmente em mulheres jovens, quando a junção escamo-colunar (JEC) não é totalmente visível. Nesses casos, a impossibilidade de caracterizar os limites da lesão e excluir uma extensão para o canal endocervical, ou mesmo uma microinvasão, torna a excisão da zona de transformação (conização) a conduta mais apropriada. Este procedimento permite a remoção completa da área afetada e uma avaliação histopatológica detalhada das margens, garantindo que toda a lesão foi removida e que não há invasão. A conização pode ser realizada por diferentes métodos, como alça diatérmica (CAF) ou bisturi a frio, e é um procedimento terapêutico e diagnóstico essencial. O acompanhamento pós-conização é crucial para monitorar a recorrência da lesão e garantir a saúde cervical da paciente. A compreensão dessas diretrizes é vital para ginecologistas e residentes, assegurando o manejo adequado e a prevenção do câncer de colo uterino.

Perguntas Frequentes

O que significa uma colposcopia insatisfatória e qual sua implicação na conduta de LIEAG?

Uma colposcopia é considerada insatisfatória quando a junção escamo-colunar (JEC) não é totalmente visível, impedindo a avaliação completa da zona de transformação. Em casos de LIEAG, uma colposcopia insatisfatória impede a exclusão de lesões mais extensas ou invasivas que podem estar localizadas acima da JEC, exigindo uma excisão da zona de transformação para diagnóstico e tratamento completos.

Qual o objetivo da excisão da zona de transformação (conização) em casos de LIEAG?

A excisão da zona de transformação, ou conização, tem um duplo objetivo: diagnóstico e terapêutico. Diagnosticamente, permite uma avaliação histopatológica completa da lesão, incluindo suas margens, e a exclusão de microinvasão. Terapeuticamente, remove a lesão de alto grau, prevenindo sua progressão para câncer invasivo.

Quando o uso de estrogênio tópico é indicado antes da colposcopia?

O estrogênio tópico pode ser indicado antes da colposcopia em mulheres na pós-menopausa ou com atrofia vaginal, para melhorar a visualização da JEC e tornar a colposcopia satisfatória. No entanto, em mulheres jovens com LIEAG e colposcopia insatisfatória, a excisão é geralmente preferida para garantir o diagnóstico e tratamento adequados.

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