UDI Hospital - Hospital UDI São Luís (MA) — Prova 2021
Um senhor de 60 anos foi vítima de queimadura de segundo grau na face e extremidades superiores, em um incêndio doméstico. A avaliação primária revela escarro carbonáceo. Encontra-se alerta, sem sinais de insuficiência respiratória. A prioridade no atendimento desse senhor é:
Queimadura face + escarro carbonáceo → Garantir via aérea definitiva (intubação profilática).
Em vítimas de queimadura com sinais de lesão inalatória (escarro carbonáceo, queimadura de face/pescoço, pelos nasais queimados), a prioridade absoluta é garantir uma via aérea definitiva, mesmo na ausência de insuficiência respiratória inicial, devido ao risco iminente de edema de via aérea e obstrução.
Queimaduras são lesões complexas que exigem uma abordagem sistemática e priorizada, especialmente em casos de trauma por inalação. A lesão inalatória é uma das principais causas de morbidade e mortalidade em vítimas de queimaduras, e sua identificação precoce e manejo adequado são cruciais. A presença de escarro carbonáceo, queimaduras na face e pescoço, e história de queimadura em ambiente fechado são fortes indicadores de lesão inalatória. Mesmo que o paciente esteja inicialmente alerta e sem sinais de insuficiência respiratória, o edema da via aérea pode progredir rapidamente nas horas seguintes, levando à obstrução e à necessidade de intubação de emergência, que pode ser extremamente difícil. Portanto, a prioridade máxima no atendimento a um paciente com queimadura e suspeita de lesão inalatória é garantir uma via aérea definitiva, geralmente através de intubação orotraqueal profilática. Após a estabilização da via aérea, outras prioridades incluem a reposição volêmica adequada, avaliação da extensão e profundidade das queimaduras, analgesia e prevenção de hipotermia, seguindo os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support).
Sinais de alerta para lesão inalatória incluem queimaduras na face e pescoço, pelos nasais queimados, escarro carbonáceo, rouquidão, estridor, tosse e história de queimadura em ambiente fechado. A presença de qualquer um desses sinais indica alto risco.
A intubação profilática é crucial porque o edema da via aérea superior pode se desenvolver rapidamente e de forma imprevisível nas primeiras 24-48 horas após a lesão inalatória. Esperar por sinais de insuficiência respiratória pode resultar em uma via aérea impossível de intubar.
A sequência de prioridades segue o ABCDE do trauma: A (Via Aérea com proteção da coluna cervical), B (Respiração e ventilação), C (Circulação com controle de hemorragias), D (Avaliação neurológica) e E (Exposição e controle da hipotermia). A via aérea é sempre a primeira prioridade.
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