Santa Casa de São José dos Campos (SP) — Prova 2021
Homem, 39 anos de idade, é admitido no PS, vítima de queimadura térmica grave em face e região cervical, há 2 horas. Encontra-se consciente, GCS 15, pupilas mióticas e fotorreagentes, hemodinamicamente estável, FR 28 irpm, Sat O2 90% com cateter O2. Apresenta edema discreto em face/lábios, escarro carbonáceo, roncos pulmonares e queimadura de cílios. Qual é a conduta mais adequada?
Queimadura de face/cervical + sinais de lesão inalatória (escarro carbonáceo, roncos) → intubação orotraqueal precoce.
Pacientes com queimaduras de face e pescoço, especialmente com sinais de lesão inalatória (escarro carbonáceo, roncos, queimadura de cílios/pelos nasais, edema de orofaringe), têm alto risco de obstrução de vias aéreas devido ao edema progressivo. A intubação orotraqueal precoce é crucial para prevenir a falha respiratória.
A lesão inalatória é uma das principais causas de morbidade e mortalidade em pacientes com queimaduras térmicas graves, especialmente quando envolvem a face e o pescoço. A exposição a fumaça e gases tóxicos pode causar danos diretos às vias aéreas e ao parênquima pulmonar, além de desencadear um processo inflamatório que leva a edema progressivo. O diagnóstico de lesão inalatória é clínico, baseado em achados como queimaduras em face, pescoço, pelos nasais chamuscados, escarro carbonáceo, rouquidão, estridor e sinais de obstrução das vias aéreas. A avaliação da saturação de oxigênio pode ser enganosa inicialmente, mas a progressão do edema pode levar rapidamente à insuficiência respiratória. A conduta mais adequada para pacientes com sinais de lesão inalatória é a intubação orotraqueal precoce. Isso garante a patência das vias aéreas antes que o edema se torne tão grave a ponto de impossibilitar a intubação, prevenindo uma emergência respiratória catastrófica. O manejo subsequente inclui ventilação mecânica protetora e suporte clínico.
Sinais de alerta incluem queimaduras em face, pescoço ou tórax, queimadura de pelos nasais ou cílios, escarro carbonáceo, rouquidão, estridor, dispneia, e presença de edema em orofaringe ou lábios.
A intubação precoce é preferível porque o edema das vias aéreas superiores pode progredir rapidamente nas primeiras 24-48 horas, tornando a intubação tardia muito mais difícil e arriscada, podendo levar à obstrução completa e fatal.
As complicações incluem obstrução das vias aéreas superiores por edema, pneumonia associada à ventilação, síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA), broncoespasmo e intoxicação por monóxido de carbono ou cianeto.
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