Queimadura de Vias Aéreas: Intubação Precoce e Manejo

DASA - Diagnósticos da América (SP) — Prova 2024

Enunciado

Paciente masculino, 40 anos, 90 quilos, sofre acidente com churrasqueira há 40 minutos e é transportado pela equipe de resgate até o centro de trauma mais próximo. No transporte foram infundidos 1000ml de soro fisiológico 0,9%, 2 g de dipirona e 4 mg de morfina. É recebido em prancha rígida, sem colar cervical e sem oxigênio suplementar. Sinais da admissão: Tem sua via aérea pérvia, com sinais de queimadura da face. Oroscopia com sinais de queimadura do trato aero digestivo. Murmúrio vesicular presente bilateral, taquipneico, com discreto estridor inspiratório e sibilos difusos. Estável hemodinamicamente, com perfusão lentificada, anúrico desde à admissão. Consciente e orientado, Glasgow 15, com pupilas normais. A principal e imediata conduta neste caso é:

Alternativas

  1. A) Otimizar analgesia com opioides potentes como morfina ou fentanil.
  2. B) Ressuscitação hemodinâmica com ringer lactato pela fórmula de Parkland, com meta na normotensão e retorno da diurese.
  3. C) Assegurar uma via aérea definitiva.
  4. D) Traqueostomia de urgência.

Pérola Clínica

Queimadura de face/orofaringe + Estridor/Sibilos → Intubação orotraqueal precoce para via aérea definitiva.

Resumo-Chave

Pacientes com queimaduras de face e sinais de lesão inalatória (estridor, sibilos, queimadura de orofaringe) têm alto risco de edema de vias aéreas e obstrução. A intubação orotraqueal precoce é crucial para assegurar a via aérea antes que o edema se torne intratável.

Contexto Educacional

Pacientes vítimas de queimaduras, especialmente as que envolvem face e pescoço ou ocorrem em ambientes fechados, apresentam alto risco de lesão inalatória. Esta condição é uma das principais causas de morbimortalidade precoce em queimados e exige reconhecimento e manejo imediatos. A presença de estridor inspiratório, sibilos, queimaduras na face ou orofaringe, e escarro carbonáceo são sinais de alerta críticos. A fisiopatologia da lesão inalatória envolve a inalação de gases quentes e produtos tóxicos da combustão, que causam inflamação, edema e necrose da mucosa das vias aéreas. O edema pode progredir rapidamente nas primeiras horas, levando à obstrução da via aérea superior. A intubação orotraqueal precoce é a conduta mais importante e imediata para assegurar a patência da via aérea antes que o edema se torne tão grave que impeça a intubação. A avaliação da via aérea segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), com prioridade máxima. Mesmo pacientes conscientes e com Glasgow 15, mas com sinais de lesão inalatória, devem ser intubados profilaticamente. A ressuscitação volêmica e a analgesia são importantes, mas secundárias à garantia da via aérea, que é a medida salvadora de vida mais urgente neste cenário.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alerta para lesão de vias aéreas em pacientes queimados?

Sinais de alerta incluem queimaduras na face ou pescoço, pelos nasais queimados, escarro carbonáceo, rouquidão, estridor, sibilos, e sinais de queimadura na orofaringe ou trato aerodigestivo.

Por que a intubação orotraqueal é a conduta mais imediata e importante neste caso?

O edema das vias aéreas superiores em pacientes com lesão inalatória pode progredir rapidamente, levando à obstrução total. A intubação precoce garante uma via aérea definitiva antes que o edema torne o procedimento inviável e previne a asfixia.

Quais são as complicações de uma intubação tardia em pacientes com queimadura de vias aéreas?

A intubação tardia pode ser extremamente difícil devido ao edema maciço, aumentando o risco de falha na intubação, trauma de via aérea, hipóxia prolongada e necessidade de procedimentos mais invasivos como a cricotireoidostomia de urgência.

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