Queimadura e Lesão Inalatória: Intubação Precoce

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2023

Enunciado

Homem de 35 anos de idade, previamente hígido, é admitido na unidade de emergência após ser vítima de explosão de botijão de gás em domicílio, que ocorreu há 2 horas. À avaliação do serviço médico de emergência no local, apresentava frequência cardíaca (FC) de 110bpm, pressão arterial (PA) de 110x80mmHg, frequência respiratória (FR) 18ipm, saturação de oxigênio (SpO2) de 97% em ar ambiente e escala de coma de Glasgow 15.À avaliação inicial na unidade de emergência, apresenta rouquidão e chamuscamento de sobrancelhas. A SpO₂ é de 92% em ar ambiente, com elevação para 95% após instalação de máscara de oxigênio em 12L/min. Expansibilidade torácica preservada e simétrica, com murmúrios vesiculares presentes bilateralmente, sem ruídos adventícios e FR de 20ipm. Bulhas rítmicas e normofonéticas, em dois tempos, sem sopros, com FC de 115bpm e PA de 100x70mmHg. O abdome está flácido e indolor, com pelve estável. A escala de coma de Glasgow é de 15, com pupilas isocóricas e fotorreagentes, sem déficits neurológicos focais. Apresenta queimadura com formação de bolhas, com áreas nacaradas e áreas enegrecidas em tórax, abdômen e membro superior direito, conforme pode ser visto na figura esquemática a seguir. Sua última refeição ocorreu há 8 horas. Tem história de vacinação completa para tétano, com última dose de reforço há 8 anos.Qual é a primeira medida que deve ser realizada neste momento?

Alternativas

  1. A) Inalação com adrenalina
  2. B) Passagem de máscara laríngea
  3. C) Intubação orotraqueal
  4. D) Cricotireoidostomia
  5. E) Traqueostomia

Pérola Clínica

Queimadura facial + rouquidão/chamuscamento → suspeitar lesão inalatória → intubação precoce para proteger via aérea.

Resumo-Chave

A presença de rouquidão e chamuscamento de sobrancelhas em um paciente vítima de queimadura, especialmente em ambiente fechado, são sinais de alerta para lesão inalatória. O edema de via aérea pode progredir rapidamente, tornando a intubação mais difícil e perigosa, por isso a intubação orotraqueal precoce é crucial.

Contexto Educacional

A lesão inalatória é uma das principais causas de morbimortalidade em vítimas de queimaduras, especialmente aquelas que ocorrem em ambientes fechados ou com explosões. A avaliação da via aérea é a prioridade 'A' do atendimento inicial, e a identificação precoce de sinais de comprometimento é fundamental para a sobrevida do paciente. A fisiopatologia envolve a inalação de produtos tóxicos da combustão e calor, que causam inflamação, edema e necrose da mucosa respiratória. Sinais como rouquidão, estridor, chamuscamento de pelos e queimaduras faciais são indicativos de alto risco. O diagnóstico é clínico, mas a broncoscopia pode auxiliar na avaliação da extensão da lesão. O tratamento primário é a intubação orotraqueal precoce para proteger a via aérea antes que o edema se torne grave. Outras medidas incluem oxigenoterapia, broncodilatadores e ventilação mecânica. O prognóstico está diretamente relacionado à gravidade da lesão inalatória e à rapidez do manejo adequado.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para lesão inalatória em queimados?

Sinais incluem rouquidão, estridor, tosse, chamuscamento de pelos faciais/nasais, escarro carbonáceo e queimaduras em face/pescoço ou em ambiente fechado.

Por que a intubação orotraqueal deve ser precoce na lesão inalatória?

O edema de via aérea pode progredir rapidamente nas primeiras horas, dificultando ou impossibilitando a intubação se não for realizada precocemente, antes do agravamento.

Quais são as principais complicações da lesão inalatória por queimadura?

As complicações incluem obstrução de via aérea superior por edema, insuficiência respiratória aguda, pneumonia e síndrome do desconforto respiratório agudo (SDRA).

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