Queimaduras: Manejo Imediato da Via Aérea na Lesão Inalatória

Santa Casa de Marília (SP) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 17 anos é vítima de queimadura com álcool durante a tentativa de acender uma churrasqueira. Não há relatos de outro mecanismo de trauma. É transferido ao serviço de emergência sem prancha rígida, sem colar cervical, com cateter de oxigênio com fluxo de 3l/min. Durante o transporte foi infundido 1000ml de cristaloide e 4mg de morfina. Sinais vitais na admissão: pressão arterial: 180/110 mmHg, frequência cardíaca: 115 bpm, frequência respiratória: 32 irpm, saturação periférica de oxigênio: 82%, temperatura axilar: 36,2ºC. 1. Vias aéreas pérvias, sem colar cervical, com queimaduras de segundo grau em face, incluindo vibrissas nasais. Ausência de fuligem em orofaringe. 2. Sem alterações à inspeção do tórax, boa expansibilidade, murmúrio vesicular presente 3. Bulhas rítmicas, taquicárdicas, sem sopros audíveis. Ausência de estase jugular patológica. 4. Consciente, agitado, escala de Glasgow com 15 pontos. Pupilas normais. 5. Sem outras lesões ameaçadoras à vida. A conduta imediata, neste caso é:

Alternativas

  1. A) Resfriar as áreas queimadas com soro gelado.
  2. B) Trocar o cateter de oxigênio por máscara não reinalante e aumentar a oferta de O₂.
  3. C) Expansão volêmica com ringer lactato conforme a regra de Parkland.
  4. D) Garantir uma via aérea definitiva.

Pérola Clínica

Queimadura de face com vibrissas nasais queimadas + FR ↑ + SatO2 ↓ → Lesão inalatória = Garantir via aérea definitiva.

Resumo-Chave

Em pacientes queimados, a presença de queimaduras em face, vibrissas nasais queimadas, taquipneia e hipoxemia são fortes indicativos de lesão inalatória, exigindo intubação precoce para garantir a via aérea antes que o edema dificulte o procedimento.

Contexto Educacional

O atendimento inicial ao paciente queimado segue os princípios do Advanced Trauma Life Support (ATLS), onde a avaliação e o manejo da via aérea (A - Airway) são a prioridade absoluta. No caso apresentado, o paciente de 17 anos com queimaduras de segundo grau em face, incluindo vibrissas nasais queimadas, taquipneia (FR: 32 irpm) e hipoxemia (SatO2: 82%) apresenta sinais claros de lesão inalatória. Embora a ausência de fuligem em orofaringe possa ser um achado, não exclui a lesão. A lesão inalatória é uma das principais causas de morbimortalidade em queimados, pois o calor e as toxinas inaladas causam edema progressivo das vias aéreas superiores, que pode levar à obstrução completa. A conduta imediata, portanto, é garantir uma via aérea definitiva através da intubação orotraqueal. Esperar o edema se instalar pode tornar a intubação extremamente difícil ou impossível, resultando em uma via aérea cirúrgica de emergência. Outras condutas, como resfriar as áreas queimadas (que deve ser feito com água em temperatura ambiente e não gelada para evitar hipotermia), trocar o cateter de oxigênio por máscara não reinalante (insuficiente para lesão inalatória grave) ou iniciar a expansão volêmica (importante, mas secundária à via aérea), são importantes, mas não a prioridade imediata diante de um risco iminente de obstrução de via aérea. A oferta de oxigênio deve ser máxima, mas a intubação é a medida que garante a permeabilidade.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para lesão inalatória em pacientes queimados?

Sinais de alerta incluem queimaduras em face e pescoço, vibrissas nasais queimadas, rouquidão, estridor, tosse, escarro carbonáceo, dispneia, taquipneia e hipoxemia, mesmo sem fuligem na orofaringe.

Por que a intubação precoce é crucial na lesão inalatória por queimadura?

A intubação precoce é vital porque o edema das vias aéreas superiores progride rapidamente após a queimadura, podendo tornar a intubação extremamente difícil ou impossível se houver atraso, levando à obstrução e asfixia.

Qual a ordem de prioridade no atendimento inicial ao queimado grave?

A ordem segue o protocolo ATLS: A (Via Aérea com proteção da coluna cervical), B (Respiração e Ventilação), C (Circulação com controle de hemorragias), D (Déficit Neurológico) e E (Exposição e controle da hipotermia).

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