Queimaduras de Vias Aéreas: Intubação Precoce e Manejo

IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025

Enunciado

Paciente do sexo masculino de 25 anos sofre queimadura em local fechado com acometimento da região malar, região frontal, lábios, pálpebras e pescoço. Observam-se áreas com hiperemia, algumas lesões bolhosas e áreas cinzas semelhante a couro, que são menos dolorosas. Ele está consciente, pouco agitado, com saturação de O₂ de 86%. A conduta imediata mais adequada ao caso é:

Alternativas

  1. A) Escarotomia na sala de emergência e oxigênio a 100%.
  2. B) Intubação orotraqueal em sequência rápida e acesso venoso periférico.
  3. C) Sedação profunda na sala de emergência para controle álgico e reavaliação do padrão respiratório.
  4. D) Encaminhar ao centro cirúrgico para desbridamento e escarotomia sob sedação, para controle álgico.

Pérola Clínica

Queimadura face/pescoço + saturação ↓ + local fechado → suspeita lesão inalatória → intubação precoce.

Resumo-Chave

Pacientes com queimaduras na face e pescoço, especialmente em ambientes fechados, têm alto risco de lesão inalatória e edema de vias aéreas. A intubação orotraqueal precoce é crucial para prevenir a obstrução das vias aéreas antes que o edema se instale, que pode tornar a intubação extremamente difícil ou impossível.

Contexto Educacional

O manejo inicial de pacientes com queimaduras graves é uma emergência médica que exige avaliação rápida e intervenções prioritárias, seguindo os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support). A principal preocupação em queimaduras extensas, especialmente as que envolvem face e pescoço ou ocorrem em ambientes fechados, é a lesão inalatória e o risco iminente de obstrução das vias aéreas devido ao edema progressivo. No caso apresentado, o paciente sofreu queimaduras na região malar, frontal, lábios, pálpebras e pescoço em local fechado, e apresenta saturação de O₂ de 86%. Esses são sinais clássicos de lesão inalatória e comprometimento das vias aéreas. A intubação orotraqueal em sequência rápida é a conduta imediata mais adequada para garantir a perviedade das vias aéreas antes que o edema se instale e dificulte ou impossibilite o procedimento. O acesso venoso periférico é fundamental para a reposição volêmica, que é uma prioridade em grandes queimados. As outras alternativas são inadequadas como conduta inicial. A escarotomia (A e D) é indicada para queimaduras circunferenciais que comprometem a circulação ou ventilação, não para a via aérea. A sedação profunda (C) sem garantir a via aérea é perigosa, pois pode deprimir ainda mais o drive respiratório e agravar a hipoxemia. A prioridade é sempre a via aérea, seguida da respiração e circulação.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para lesão inalatória em pacientes queimados?

Sinais de alerta incluem queimaduras na face e pescoço, pelos nasais queimados, escarro carbonáceo, rouquidão, estridor, tosse, e histórico de queimadura em ambiente fechado. A saturação de O2 pode estar normal inicialmente.

Por que a intubação orotraqueal deve ser precoce em casos de suspeita de lesão inalatória?

A intubação precoce é essencial para garantir a perviedade das vias aéreas antes que o edema progressivo da mucosa, causado pela lesão inalatória, torne a intubação extremamente difícil ou impossível, levando à obstrução e asfixia.

Quando a escarotomia é indicada em pacientes queimados?

A escarotomia é indicada para aliviar a constrição causada por queimaduras circunferenciais de espessura total (terceiro grau) em membros ou tórax, que podem comprometer a circulação distal ou a ventilação, respectivamente. Não é a conduta inicial para vias aéreas.

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