Queimaduras em Ambiente Fechado: Manejo da Lesão Inalatória

UFRN/HUOL - Hospital Universitário Onofre Lopes - Natal (RN) — Prova 2023

Enunciado

Considere uma paciente de 35 anos, 55 kg de peso, previamente hígida, vítima de queimaduras de segundo grau nos dois membros inferiores, causadas por incêndio em ambiente fechado. Para essa paciente, a conduta mais adequada é

Alternativas

  1. A) sedar com fentanil, isoladamente ou associado a benzodiazepínico, para reduzir a ansiedade.
  2. B) realizar broncoscopia, se estiverem presentes escarro carbonáceo e queimadura das vibrissas nasais.
  3. C) hidratar nas primeiras 8 horas pós-queimadura com 1500 ml de solução de Ringer Lactato.
  4. D) calcular a hidratação venosa, considerando a superfície corporal queimada dessa paciente em 48%.

Pérola Clínica

Queimadura em ambiente fechado + sinais de lesão inalatória (escarro carbonáceo, vibrissas nasais queimadas) → broncoscopia.

Resumo-Chave

Em pacientes vítimas de queimaduras em ambiente fechado, a suspeita de lesão inalatória é alta. A presença de escarro carbonáceo e queimadura das vibrissas nasais são indicativos importantes que justificam a broncoscopia para avaliar a extensão da lesão das vias aéreas.

Contexto Educacional

Pacientes vítimas de queimaduras, especialmente aquelas ocorridas em ambientes fechados, apresentam um risco significativo de lesão inalatória. Esta complicação é de extrema importância clínica, pois pode levar a edema de vias aéreas, insuficiência respiratória aguda e pneumonia, sendo uma das principais causas de mortalidade precoce em queimados. A avaliação inicial deve sempre incluir a pesquisa de sinais de lesão inalatória. A suspeita de lesão inalatória é levantada por fatores como o local do incêndio (ambiente fechado), a presença de escarro carbonáceo (fuligem nas vias aéreas), queimadura das vibrissas nasais, rouquidão, estridor, tosse e queimaduras faciais. Nesses casos, a broncoscopia é o método diagnóstico padrão-ouro para avaliar diretamente a extensão da lesão na árvore traqueobrônquica e guiar a conduta terapêutica. O manejo da lesão inalatória é prioritário e pode incluir intubação orotraqueal profilática para evitar obstrução das vias aéreas devido ao edema progressivo. A hidratação venosa deve ser calculada com cautela, pois o edema pulmonar pode ser agravado. A sedação e analgesia são importantes, mas não devem preceder a avaliação e manejo da via aérea. O cálculo da superfície corporal queimada é crucial para a reposição volêmica, mas a lesão inalatória tem precedência na avaliação inicial.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para lesão inalatória em queimados?

Sinais de alerta incluem queimaduras em ambiente fechado, escarro carbonáceo, queimadura de vibrissas nasais, rouquidão, estridor, tosse e queimaduras faciais.

Quando a broncoscopia é indicada em pacientes queimados?

A broncoscopia é indicada para confirmar e avaliar a extensão da lesão inalatória, especialmente na presença de sinais clínicos sugestivos, como escarro carbonáceo e queimadura das vibrissas nasais.

Qual a importância da lesão inalatória em queimaduras?

A lesão inalatória é uma das principais causas de morbidade e mortalidade em pacientes queimados, podendo levar a insuficiência respiratória aguda e pneumonia, e deve ser prontamente identificada e tratada.

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