FUBOG - Fundação Banco de Olhos de Goiás — Prova 2022
Paciente, sexo masculino, adulto, vítima de incêndio. Chega ao pronto-atendimento consciente, levemente desorientado e sem presença de sangramentos exsanguinantes. Vias aéreas pérvias, porém, foi observado uso da musculatura acessória para respirar, tosse produtiva e rouquidão, sinais de inalação por fumaça. Tórax sem indícios de queimaduras ou outras lesões, com a frequência respiratória estável devido à IOT. A pele se encontrava quente e úmida, enchimento capilar = 2 segundos, com a presença de queimaduras não circunferenciais de 2º grau nas regiões da face, pernas (anterior e posteriormente) e braço direito (posteriormente). Nesse contexto, quanto à intubação orotraqueal, analise as proposições abaixo e, em seguida, assinale a alternativa CORRETA: I. A intubação orotraqueal é indicada nesse caso, pois apesar de as vias aéreas se encontrarem inicialmente pérvias, é preciso garantir que elas permaneçam dessa forma. II. Tendo em vista que a vítima de queimadura teve contato com o fogo, o calor proporcionado por ele poderia ocasionar edema nas vias aéreas superiores e, assim, uma obstrução considerável, fazendo com que a intubação orotraqueal seja indicada nesse caso, pois mesmo que de início a VA estivesse acessível, após 30-60 minutos ela pode estar criticamente estreita por conta do inchaço. III. A intubação orotraqueal não é indicada nesse caso, pois não houve uma oclusão completa e o simples estreitamento não altera o trabalho de respiração do doente.
Queimadura por inalação: intubação precoce indicada mesmo com VA pérvia inicial devido ao risco de edema progressivo e obstrução.
Em vítimas de queimadura com sinais de lesão inalatória (rouquidão, tosse produtiva, uso de musculatura acessória), a intubação orotraqueal deve ser considerada precocemente, mesmo que as vias aéreas estejam inicialmente pérvias. O edema de vias aéreas superiores pode progredir rapidamente, levando à obstrução crítica em poucas horas.
A lesão inalatória em vítimas de queimadura é uma condição grave que exige reconhecimento e manejo rápidos. Ela ocorre pela inalação de fumaça, gases tóxicos e calor, resultando em danos às vias aéreas e parênquima pulmonar. A epidemiologia mostra que a lesão inalatória aumenta significativamente a morbimortalidade em pacientes queimados, sendo uma das principais causas de óbito. O diagnóstico da lesão inalatória é clínico, baseado em sinais como rouquidão, tosse produtiva, estridor, uso de musculatura acessória, queimaduras na face/pescoço e escarro carbonáceo. A fisiopatologia envolve inflamação, edema e broncoespasmo, que podem levar à obstrução das vias aéreas. A suspeita deve ser alta em pacientes expostos a ambientes fechados com fumaça. A conduta primordial é a avaliação e proteção das vias aéreas. A intubação orotraqueal precoce é frequentemente indicada, mesmo que as vias aéreas estejam inicialmente pérvias, devido ao risco iminente de edema progressivo e obstrução em poucas horas. O prognóstico melhora significativamente com a intervenção precoce, prevenindo a falência respiratória e suas complicações.
Sinais de alerta incluem rouquidão, tosse produtiva, estridor, uso de musculatura acessória para respirar, queimaduras na face/pescoço, pelos nasais chamuscados e escarro carbonáceo.
A intubação precoce é crucial porque o calor e as toxinas inaladas podem causar edema progressivo das vias aéreas superiores, levando a uma obstrução crítica e dificultando a intubação posterior.
O principal risco é a progressão rápida do edema de vias aéreas, que pode resultar em obstrução completa e falha respiratória, tornando a intubação emergencial extremamente difícil ou impossível.
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