Lesão Inalatória por Fumaça: Manejo Inicial e Monitoramento

Unimed-Rio - Cooperativa de Trabalho Médico (RJ) — Prova 2022

Enunciado

Paciente masculino, 71 anos, vítima de incêndio em seu apartamento e com isso houve inalação de fumaça e ar superaquecido. Na admissão encontrava-se: alerta, tosse com secreção enegrecida e saturação de oxigênio de 100% em macronebulização com O2 suplementar. Não havia estridor. Com base neste cenário clínico o manejo ideal está descrito na seguinte afirmação:

Alternativas

  1. A) Oxigenioterapia hiperbárica;
  2. B) Proceder intubação orotraqueal imediata;
  3. C) Elevação da cabeceira da cama, oxigênio umidificado contínuo, observação do paciente internado, determinação do nível de carboxihemoglobina;
  4. D) Elevação da cabeceira da cama, oxigênio umidificado contínuo, antibióticos de amplo espectro, esteroide intravenoso, observação de paciente internado.

Pérola Clínica

Inalação de fumaça sem estridor: monitorar vias aéreas, O2 umidificado, dosar carboxihemoglobina.

Resumo-Chave

Em pacientes com inalação de fumaça, mesmo sem estridor inicial, é crucial monitorar as vias aéreas devido ao risco de edema tardio. A dosagem de carboxihemoglobina é essencial para avaliar a intoxicação por monóxido de carbono, uma complicação comum e grave.

Contexto Educacional

A lesão inalatória por fumaça e ar superaquecido é uma complicação grave em vítimas de incêndio, responsável por uma parcela significativa da morbimortalidade. Ela pode causar danos diretos às vias aéreas e pulmões, além de intoxicação sistêmica por produtos da combustão, como monóxido de carbono (CO) e cianeto. A avaliação inicial deve focar na patência das vias aéreas e na função respiratória, mesmo que os sintomas não sejam evidentes de imediato. O manejo inicial envolve a elevação da cabeceira para reduzir o edema, oxigenioterapia umidificada para aliviar o desconforto e prevenir ressecamento, e observação rigorosa do paciente. A dosagem de carboxihemoglobina é imperativa, pois a intoxicação por CO pode ser assintomática em níveis moderados e a oximetria de pulso pode ser falsamente normal. A ausência de estridor inicial não exclui o risco de edema de vias aéreas tardio, que pode se desenvolver nas primeiras 24-48 horas. A intubação orotraqueal deve ser considerada precocemente em pacientes com sinais de obstrução iminente ou falência respiratória. A oxigenioterapia hiperbárica é reservada para casos graves de intoxicação por CO. Antibióticos profiláticos e esteroides sistêmicos não são rotineiramente recomendados, pois não demonstraram benefício e podem aumentar o risco de infecções. O monitoramento contínuo e a reavaliação são cruciais para um desfecho favorável.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de alerta para lesão inalatória grave?

Sinais de alerta incluem estridor, rouquidão, tosse com escarro carbonáceo, queimaduras faciais ou nasais, pelos nasais queimados e história de confinamento em ambiente com fumaça.

Por que é importante dosar a carboxihemoglobina em casos de inalação de fumaça?

A dosagem de carboxihemoglobina é crucial para diagnosticar e quantificar a intoxicação por monóxido de carbono (CO), que pode causar hipóxia tecidual grave e não é detectada pela oximetria de pulso convencional.

Quando a intubação orotraqueal é indicada em pacientes com lesão inalatória?

A intubação é indicada na presença de sinais de obstrução iminente das vias aéreas (estridor progressivo, rouquidão severa), falência respiratória, rebaixamento do nível de consciência ou queimaduras extensas na face/pescoço com risco de edema.

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