Queimadura Grave: Manejo Imediato da Via Aérea

UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 32 anos, trazido pelo corpo de bombeiros devido à queimadura em incêndio domiciliar. Ele estava restrito no quarto em chamas. Apresenta queimadura profunda em face e boca, além de pescoço, tronco e em membros superiores. Apresenta estridor e tiragem intercostal. Membro superior com queimadura de quarto grau ao redor do antebraço. Foi obtido acesso venoso e retiradas as roupas do paciente. A conduta a ser tomada de imediato deve ser:

Alternativas

  1. A) realizar escarotomia de antebraço.
  2. B) iniciar reposição de cristaloide de acordo com a fórmula de Parkland.
  3. C) obter via aérea definitiva.
  4. D) calcular área corporal queimada.

Pérola Clínica

Queimadura face/pescoço + estridor/tiragem → Via aérea definitiva (IOT) URGENTE.

Resumo-Chave

Em pacientes queimados com sinais de lesão inalatória (queimadura de face/pescoço, estridor, tiragem intercostal, rouquidão), a prioridade absoluta é a proteção da via aérea, geralmente com intubação orotraqueal, antes que o edema progressivo impossibilite o procedimento.

Contexto Educacional

O manejo inicial do paciente queimado grave segue os princípios do ATLS (Advanced Trauma Life Support), com a avaliação primária focada no ABCDE. A lesão inalatória é uma das principais causas de morbimortalidade em queimados e deve ser prontamente identificada e tratada. A história de confinamento em ambiente fechado com fumaça, queimaduras de face e pescoço, vibrissas nasais queimadas, rouquidão, estridor e tiragem intercostal são sinais de alerta. Em casos de suspeita ou evidência de lesão inalatória, a prioridade absoluta é a obtenção de uma via aérea definitiva, geralmente por intubação orotraqueal. O edema das vias aéreas superiores pode progredir rapidamente nas primeiras horas, tornando a intubação eletiva uma medida preventiva crucial para evitar uma intubação de emergência em condições mais difíceis. Outras condutas, como a reposição volêmica (Fórmula de Parkland) e a escarotomia para queimaduras circunferenciais, são importantes, mas secundárias à garantia de uma via aérea pérvia e segura. A avaliação da área corporal queimada (ACQ) e da profundidade da queimadura é essencial para o planejamento do tratamento subsequente, mas não é a conduta imediata diante de um comprometimento iminente da via aérea.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de lesão inalatória em queimados?

Sinais de lesão inalatória incluem queimadura de face, pescoço, vibrissas nasais queimadas, rouquidão, estridor, tiragem intercostal, escarro carbonáceo e história de confinamento em ambiente com fumaça.

Por que a via aérea é a prioridade em queimados com lesão inalatória?

O edema progressivo das vias aéreas superiores, causado pela inalação de fumaça e calor, pode levar à obstrução completa, tornando a intubação extremamente difícil ou impossível se não for realizada precocemente.

Quando a escarotomia é indicada em queimados?

A escarotomia é indicada para aliviar a compressão de tecidos edemaciados por queimaduras circunferenciais profundas que comprometem a circulação distal (membros) ou a ventilação (tórax), mas sempre após a estabilização da via aérea.

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